segunda-feira, 15 de abril de 2024

A pedra pesada


O Monte do Templo

Por que o Monte do Templo, uma grande colina transformada em uma plataforma de pedra de 15 hectares que domina a paisagem de Jerusalém, tem sido uma fonte de tão intenso conflito?

A resposta vai depender de a quem se dirige a pergunta.

Para os cristãos, o Monte do Templo é uma lembrança vívida do ministério de Jesus Cristo e dos muitos incidentes registrados nos Evangelhos que ocorreram no enorme complexo do templo construído por Herodes, o Grande, e seus sucessores.

Para os muçulmanos, o Monte do Templo é al-Haram ash-Sharif, "o Nobre Santuário", local onde o fundador do Islã, Maomé, supostamente atrelou seu cavalo alado, Buraq, durante sua viagem milagrosa de uma noite de Meca a Jerusalém e, acompanhado pelo anjo Gabriel, subiu ao trono celestial de Alá.

Para os judeus, o Monte do Templo abrange o local mais sagrado da Terra — o cume do Monte Moriá, onde Abraão foi poupado de sacrificar Isaque, onde o rei Salomão construiu o maravilhoso primeiro templo (destruído pelos invasores babilônicos por volta de 587 a.C.), local do templo reconstruído por Zorobabel após o retorno dos judeus do exílio na Babilônia, local do magnífico templo de Herodes, o Grande, construído nos anos antes e depois da era comum (destruído pelas legiões romanas em 70 d.C.), e a localização de um futuro templo do qual o Messias reinará sobre toda a Terra.

Três religiões, com três reivindicações concorrentes e sobrepostas — essa é uma receita para séculos de conflitos.

A negação muçulmana da existência de um templo judaico em Jerusalém

Recentemente, o Monte do Templo tem sido notícia devido a alegações muçulmanas sobre sua história. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade palestina, dirigiu-se ao Conselho Geral palestino, e em um chocante discurso antissemita de duas horas, totalmente ignorado pela mídia ocidental, Abbas condenou Israel como "um empreendimento colonial que nada tem a ver com o judaísmo". E sobre a história de Israel, ele afirmou: "tudo foi inventado".

Essas são declarações curiosas de um homem com PhD em história — até percebermos que seu PhD foi dado por um colégio soviético de Moscou e sua dissertação foi sobre a negação do Holocausto.

Esta não é a primeira vez que Abbas faz esse tipo de declaração. Em discursos anteriores, ele disse que os judeus "afirmam que há dois mil anos eles tinham um templo", mas "eu os desafio a confirmar isso".

Ele também argumentou que os israelenses "tentam mudar os fatos do cenário de Jerusalém em todos os detalhes, e substituí-lo por um cenário diferente, cujo propósito é servir aos mitos delirantes e à arrogância do poder. Eles imaginam isso...eles podem inventar uma história [judaica], estabelecer reivindicações e apagar sólidos fatos históricos e religiosos".

Comentários similares têm sido repetidos por outros líderes políticos, religiosos árabes e personagens da mídia. Em um programa de TV da Autoridade Palestina, em agosto de 2015, um narrador declarou aos telespectadores:

"A história do Templo [de Jerusalém] não é nada além de uma coleção de lendas e mitos por razões políticas. [Os judeus] têm...usado mitos a serviço de seus objetivos declarados de ocupação e imperialismo. No espírito das ilusões e lendas, eles tentam se livrar da Al-Aqsa [a mesquita perto da Cúpula da Rocha] e estabelecer seu chamado 'Templo' — o maior crime e falsificação da história".

Tayseer Tamimi, a principal autoridade religiosa da Autoridade Palestina, fez várias alegações absurdas sobre as supostas tentativas dos judeus de destruir a Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha. Alguns anos atrás, em resposta às escavações arqueológicas israelenses perto do Monte do Templo, Tamimi, de maneira ridícula, acusava: "O objetivo das escavações é destruir a Mesquita Al-Aqsa. De fato, suas fundações foram removidas. Ácidos químicos foram injetados nas rochas para dissolvê-las. O solo e os pilares foram movidos para que a mesquita ficasse suspensa no ar. Existe um plano israelense para destruir a mesquita de Al-Aqsa e construir o templo”. 

Obs. O verdadeiro temor é que as escavações arqueológicas no Monte do Templo revelem, junto com a rica história dessa cidade, a forte presença e caráter judaicos no local. 

Essa espécie de teoria de conspiração e raciocínio torcido é muito comum no mundo árabe. Entre as negações de que os judeus viveram em Jerusalém ou que ali construíram um templo, algumas autoridades palestinas argumentaram que o templo no Monte do Templo foi originalmente construído pelos cananeus (que precederam a presença dos israelitas na terra), e em uma ideia romanesca, alguns afirmaram que o templo foi construído pelo primeiro homem, Adão — com a alegação de que, como primeiro muçulmano, ele construiu uma mesquita em vez de um templo.

Antigos escritos muçulmanos confirmam o templo de Jerusalém

Hoje em dia, quando os muçulmanos tentam negar o templo judaico e a presença de judeus em Jerusalém, eles não estão reescrevendo a história — eles estão negando as evidências do reconhecimento desses fatos pelos próprios muçulmanos.

Por exemplo, em 1924, o Conselho Supremo Muçulmano, órgão regulador dos assuntos muçulmanos em Jerusalém, durante o Mandato Britânico da Palestina, publicou um guia turístico em inglês para o Monte do Templo intitulado Um Guia Breve para al-Haram al-Sharif (este era o nome muçulmano comum na época). Este guia, assim como edições posteriores publicadas nos anos 1950, afirmava claramente:

"O local é um dos mais antigos do mundo. Sua santidade data dos primeiros tempos. Sua identidade com o local do Templo de Salomão é indiscutível. Este também é o local, de acordo com a crença universal, em que Davi construiu ali um altar ao Senhor e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas" (grifo nosso).

Atualmente, quando os muçulmanos negam a existência de um templo judeu em Jerusalém, na verdade, eles estão negando até mesmo seu próprio livro sagrado, o Alcorão, que na Sura 17:7 refere-se ao "templo em Jerusalém" (versão Sahih Internacional) para o qual Maomé, milagrosamente, empreendeu sua jornada noturna.

Mais tarde, tradutores e comentaristas muçulmanos afirmaram que o lugar para o qual ele supostamente foi — Al Masjid al-Aqsa, que significa "o templo mais distante" ou "a mesquita mais distante" — refere-se à Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém e não ao templo. Mas há um grande problema nessa afirmação: Os árabes só conquistaram Jerusalém e construiriam a mesquita quase um século depois da morte de Maomé! O único "templo em Jerusalém" a que o Alcorão poderia estar se referindo é o Templo Judaico no Monte do Templo!

Os primeiros escritos muçulmanos datam do sétimo e oitavo séculos d.C. e uma inscrição datada de cerca do ano 1000 d.C. referem-se a muçulmanos adorando no Domo da Rocha e em "Bayt al-Maqdis", uma transliteração árabe do termo hebraico bíblico "Beit HaMikdash" — literalmente "Casa do Santuário", um nome hebraico comum para o templo de Jerusalém. Os escritos muçulmanos referem-se a este e ao Domo da Rocha como sendo o mesmo local.

Vimos a partir desses exemplos que, até recentemente, os muçulmanos reconheciam abertamente a existência de um templo judaico no Monte do Templo. Então, por que isso mudou?

A atual controvérsia sobre o Monte do Templo

Enquanto Jerusalém estava sob o domínio muçulmano e não havia Estado de Israel para competir pelo seu controle, o Monte do Templo não era um problema. Os muçulmanos simplesmente mantinham judeus e cristãos longe do Monte do Templo, e isso era tudo.

Mas a situação mudou há setenta anos, com o estabelecimento do Estado de Israel em 1948 e os sangrentos combates em Jerusalém, nos quais áreas judaicas da cidade foram invadidas por tropas jordanianas. Como resultado, as sinagogas judaicas foram destruídas, as propriedades dos judeus foram confiscadas e as sepulturas judaicas foram profanadas. Algumas partes da cidade se tornaram "terra de ninguém", onde os desavisados podiam ser baleados por atiradores de elite.

Esta situação perigosa continuou até 1967, quando, na Guerra dos Seis Dias, as tropas israelenses conquistaram toda a cidade e expulsaram os jordanianos. O prêmio era o Monte do Templo, que ficou sob o controle do povo judeu pela primeira vez desde que o haviam perdido para os romanos na batalha por Jerusalém no ano 70 d.C., há dezenove séculos.

Mas para não inflamar ainda mais a ira muçulmana contra o minúsculo e ainda frágil Estado judeu, o que poderia levar a outra guerra, o comandante israelense Moshe Dayan deixou o controle do Monte do Templo para o Waqf, a autoridade religiosa muçulmana jordaniana que administrava o Monte do Templo. Mas com a principal condição de que os fiéis de todas as religiões — muçulmanos, cristãos e judeus — tivessem acesso ao Monte do Templo.

Essa situação precária levou a mais de cinquenta anos de tensão e derramamento de sangue.

Uma pedra pesada para todas as nações

Por que grande parte do mundo muçulmano reage com tanta fúria quando Donald Trump anunciou há alguns anos que seu país iria mudar sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém?

Por que seis Estados árabes, agindo em nome da Autoridade Palestina, convenceram a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) a designar a tumba de Raquel (esposa de Isaque e uma das matriarcas de Israel), perto de Belém, e a Caverna dos patriarcas em Hebrom (sepulturas dos patriarcas e matriarcas hebreus Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e Lia, e que se encontra sob uma gigantesca estrutura de pedra construída por Herodes, o Grande) como área muçulmana em outubro de 2015?

Por que essa mesma resolução condenou as escavações arqueológicas israelenses em Jerusalém — e, particularmente, em qualquer parte do Monte do Templo — ignorando a atual destruição de evidências islâmicas da presença de judeus e de um templo no Monte do Templo?

Por que as cartas da Organização de Libertação da Palestina e do Hamas, os principais grupos que governam Gaza e Cisjordânia, exigem a extinção do Estado de Israel pela força e a tomada de todas as suas terras pelos árabes?

Por que, como observado anteriormente neste artigo, os líderes e representantes palestinos negam qualquer presença judaica ou o templo judaico no Monte do Templo ou até mesmo em Jerusalém?

Tudo isso está arraigado na visão de mundo dos estudiosos e líderes islâmicos de que o mundo está dividido em duas esferas — dar al-Islam, que significa "o domínio do Islã" (onde o islamismo é dominante) e dar al-harb, que significa "o domínio da guerra". De acordo com essa visão de mundo, é considerada uma abominação para a terra que o dar al-Islam, parte da terra do Islã, conquistada pelo dar al-harb, volte a ficar sob o controle de não muçulmanos ou judeus

Esta é uma das principais razões pelas quais os muçulmanos estão determinados a trazer o território de Israel de volta ao domínio muçulmano. Os leitores experientes devem se lembrar de que a Organização de Libertação da Palestina foi fundada em 1964, três anos antes de Israel conquistar a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967 — então, a determinação muçulmana de "libertar" a terra dos israelenses e devolvê-la ao controle árabe vem de muito tempo e antecede a posse dessas áreas por Israel.

Isso também explica por que os líderes muçulmanos durante anos se gabaram abertamente de seu objetivo de libertar a terra de Israel "de mar a mar" — do Mar Morto ao Mar Mediterrâneo, ou seja, toda a Israel.

Considerando essas profundas hostilidades, não é de admirar que Deus profetizasse sobre o tempo do fim: "E acontecerá, naquele dia, que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que carregarem com ela certamente serão despedaçados, e ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra” (Zacarias 12:3).

Jerusalém rodeada de exércitos

Apenas alguns dias antes de Sua morte e ressurreição, Jesus entregou uma notável profecia a Seus discípulos enquanto estava no Monte das Oliveiras, que tem vista para Jerusalém. Além de predizer a destruição do templo com seus vastos e complexos pátios, colunatas, edifícios de armazenamento e outras estruturas, Ele também falou de horríveis eventos que vão se desenrolar no tempo do fim.

Ele advertiu: "Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação...Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas" (Lucas 21:20-22). Ele passou a descrever muitos eventos aterrorizantes, incluindo guerra devastadora e desastres de vários tipos que precederiam Sua segunda vinda.

E, sem dúvida, Jerusalém e Israel serão afetados poderosamente por esses eventos. As mentiras, o ódio e o engano espiritual acumulado ao longo dos séculos chegarão a um ápice no tempo do fim, trazendo morte e destruição, será algo diferente de tudo que o mundo já viu — chegando ao ponto da quase extinção humana se não houvesse a intervenção direta de Deus (Mateus 24:21-22).

Mas Jesus terminou Sua profecia com palavras de esperança: “E, então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lucas 21:27-28).

O mundo resgatado por uma fonte inesperada

O livro bíblico de Zacarias contém uma impressionante profecia sobre o que acontece a seguir: "Eis que vem o dia do SENHOR...Porque Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém...E o SENHOR sairá e pelejará contra estas nações, como pelejou no dia da batalha. E, naquele dia, estarão os Seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente" (Zacarias 14:1-4).

Séculos atrás, os muçulmanos tomaram conhecimento dessa profecia e esta outra correspondente em Malaquias 3:1, que diz: "Virá ao seu templo o SENHOR”. Determinados a não deixar isso acontecer, eles bloquearam o portão do muro da cidade, ao lado do Monte das Oliveiras, e abriram um enorme cemitério muçulmano ao longo de todo o muro da cidade. Sabendo que o Messias também seria um sacerdote, eles tornariam impossível que Ele entrasse na cidade, porque caminhar por um cemitério faria com que ficasse impuro e incapaz de servir como sacerdote.

Aparentemente, eles O subestimaram, pois Zacarias continua e nos diz: “O SENHOR será Rei em toda a Terra. Naquele dia haverá apenas um SENHOR — somente o Seu nome será adorado" (Zacarias 14:9, Bíblia Viva).

Uma vez que Ele acabe com toda rebelião e oposição (versículos 12-14), "acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos" (versículo 16, ACF).

Miquéias 4:2-3 prossegue explicando como Jerusalém cumprirá seu destino como capital de um mundo transformado sob o justo governo do Rei dos Reis, Jesus Cristo:

"E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR, e casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR. E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra”.

Isaías 11:9 predisse como essa cidade conturbada, apesar de seu nome denotar paz, finalmente alcançará a paz tão ansiada e desejada: "Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da Minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar".

Em um mundo que, enfim, vai conhecer o verdadeiro Deus e entender seu caminho de vida e experimentar as bênçãos trazidas por Ele, a paz se tornará algo novo e normal. As bênçãos fluirão para o mundo inteiro! 

Orar pela paz de Jerusalém

Em Salmos 122:6, o rei Davi de Israel nos diz: “Orai pela paz de Jerusalém". Todas as vezes que visitei Jerusalém, eu levei essas palavras de Davi no coração. Eu passava pelo meio da multidão, indo em direção ao Muro das Lamentações, e parava diante daquele muro que testemunhou tanto tempo de lágrimas, esperança e tristeza, inclinava minha cabeça e pedia a Deus para enviar logo o Seu Reino para que Sua amada cidade pudesse finalmente experimentar a paz duradoura que ainda não viu.


Uma Breve História do Monte do Templo de Jerusalém

Cerca dos anos 1005-1004 a.C.: Davi, o  rei de Israel, conquista a cidade dos jebuseus, Jebus, também conhecida como Salem desde a época de Abraão, e a torna a capital do seu reino unificado de Israel e Judá (1 Crônicas 11:4-8). Então, ela passa a ser conhecida por vários nomes, inclusive Jerusalém, Sião e a cidade de Davi. Por conseguinte, Davi deseja construir um templo para Deus, mas isso não lhe foi permitido por ele ser um homem de guerras, mas que Salomão o construiria. No fim de sua vida, Davi começa a reunir os materiais necessários para a construção desse templo (1 Crônicas 22:1-16).

Através de um anjo e um profeta, Deus mostrou a Davi onde erigir o altar para o templo — na eira de Araúna ou Ornã, o jebuseu, no topo do Monte Moriá, aparentemente o mesmo lugar que Deus entregou um cordeiro a Abraão para sacrificar em lugar de Isaque (ver 2 Samuel 24:16-24; 2 Crônicas 3:1; Gênesis 22).

Cerca do ano 967 a.C.: Salomão, filho e sucessor de Davi, começa a construção do templo, utilizando operários e materiais de Tiro, cujo rei, Hirão, também construiu o palácio de Davi em Jerusalém (2 Crônicas 2:3-3:1).

Cerca do ano 960 a.C.: Salomão dedica o templo, que é então preenchido com a gloriosa presença de Deus (2 Crônicas 5:1-14). Mas o próprio Salomão, eventualmente, se volta para a adoração de deuses estrangeiros, e, após sua morte, cerca do ano 931-930 a.C., seu reino se divide em dois reinos, Judá (com território ao redor e ao sul de Jerusalém) e Israel (ao norte de Jerusalém).

Nos séculos seguintes, o templo seria usado para o propósito de honrar a Deus, mas depois seria negligenciado, e, ocasionalmente, reparado e restaurado, mas logo acabou sendo transformado em um lugar de adoração às divindades pagãs — isso dependia, em grande parte, se o rei de Judá, que estava governando em Jerusalém, era justo ou iníquo.

Ano 701 a.C.: Cerca de 20 anos após o reino do norte ser levado cativo para a Assíria, o rei assírio Senaqueribe invade Judá e sitia Jerusalém, mas a cidade e o rei Ezequias são livrados de forma milagrosa. Quando se preparava para a invasão assíria, Ezequias ordenou a construção de um túnel para desviar a água e fornecer um abastecimento de água seguro para a cidade — uma impressionante prova arqueológica desse registro histórico bíblico pode ser visto hoje pelos visitantes de Jerusalém.

Cerca do ano 700 a.C.: Embora não seja atestado em registros históricos existentes, as evidências arqueológicas mostram que o Monte do Templo foi ampliado durante vários períodos — provavelmente, mais ainda nos tempos de renascimento religioso judaico no reinado do rei Ezequias (cerca de 729-686 a.C.) e novamente durante um breve período de independência judaica depois de 165-164 a.C.

Cerca do ano 587 a.C.: O rei babilônico, Nabucodonosor, invade o reino de Judá pela terceira vez, sitia e queima a cidade e destrói completamente o templo construído por Salomão quatro séculos antes. A Arca da Aliança, dentro do templo no Santo dos Santos, desaparece da história. Jerusalém ficou em ruínas por anos até que os exilados judeus começaram a retornar, como descrito nos livros bíblicos de Esdras e Neemias. Os vestígios arqueológicos confirmam a destruição da cidade pelos babilônios e a posterior reconstrução dos muros, conforme registrado em Neemias 2:11-4:23.

Cerca dos anos 536-535 a.C.: A obra começa com a reconstrução do templo, como descrito em Esdras 3:8-13. E cessa, depois dessa restauração ou reconstrução, com a dedicação do templo no ano 515 a.C., conforme descrito em Esdras 5:1-6:22.

Anos 168-167 a.C.: O invasor sírio Antíoco Epifânio tenta eliminar a religião judaica e ergue uma estátua pagã (provavelmente de si mesmo) no templo, e também profana o altar do templo, sacrificando porcos nele. E isso é um fato precursor da "abominação da desolação" do tempo do fim, predito por Jesus Cristo em Mateus 24:15.

Anos 165-164 a.C.: Os judeus purificam e dedicam novamente o templo e o altar. O feriado judaico do Hanukkah comemora as circunstâncias que cercaram esses eventos. Em algum momento nos anos seguintes, a plataforma do templo é ampliada a partir da antiga construção de Salomão e Ezequias.

Cerca dos anos 20-18 a.C.: Herodes, o Grande, rei de Jerusalém e da Judéia, começa uma grande obra de expansão do Monte do Templo e a construção de um novo templo, depois de demolir completamente aquele construído por Zorobabel. Seu enorme complexo de templos é mencionado muitas vezes nos Evangelhos e, após quarenta e seis anos, essa obra ainda estava em andamento, como observado em João 2:20.

Ano 67 d.C.: Por volta da época em que Herodes, o Grande, iniciou e terminou a construção do complexo do templo, a antiga hostilidade judaica contra o domínio romano irrompeu em rebelião aberta e começou a varrer a Judéia e a Galileia, com resultados devastadores para a nação judaica.

Ano 70 d.C.: Legiões romanas cercam Jerusalém e sitiam a cidade, depois rompem suas defesas, demolindo a fortaleza Antônia adjacente, ao lado norte do complexo do templo. O próprio Monte do Templo se torna um campo de batalha e, por conta disso, o templo é queimado e completamente destruído. Os romanos destroem todos os vestígios do complexo do templo no topo da plataforma de fundação, cumprindo a profecia de Jesus Cristo de que não restaria nenhuma pedra dos edifícios do templo (Mateus 24:1-2). A enorme plataforma de fundação, construída por Herodes, permanece desolada.

Anos 132-135 d.C.: Uma segunda guerra judaica contra o domínio romano, conhecida como a revolta de Bar Kokhba, acaba sendo devastadora para os judeus da região. Novamente, Jerusalém é destruída e os judeus expulsos, porém, a cidade torna a ser reconstruída pelo imperador romano Adriano como a cidade romana Aelia Capitolina. Durante esse período, Adriano constrói um templo para Júpiter no abandonado Monte do Templo.

Cerca do ano 325 d.C.: O imperador romano Constantino, o Grande, que veio apoiar e comprometer-se à forma dominante de religião cristã, demoliu o templo de Júpiter no Monte do Templo. Evidências arqueológicas da forma dos mosaicos nos pisos e outros detalhes arquitetônicos mostram que em algum momento da história uma igreja bizantina foi construída no Monte do Templo.

Cerca do ano 692 d.C.: Após a vitória muçulmana na Terra Santa e a conquista de Jerusalém, o Domo da Rocha é construído no Monte do Templo. Essa estrutura, modelada das igrejas bizantinas e perto da Igreja do Santo Sepulcro, é mais um santuário do que uma mesquita — construída sobre a pedra em que os muçulmanos acreditam que Maomé subiu ao céu, mas que vários arqueólogos e outros estudiosos acreditam ser o lugar do Santo dos santos dos templos de Jerusalém.

Cerca do ano 705 d.C.: A primeira mesquita de Al-Aqsa, ao sul do Domo da Rocha, é construída no Monte do Templo (e depois destruída por terremotos e reconstruída nos anos 754, 780 e 1035 d.C.).

Anos 1099 d.C.: Jerusalém é retomada pelos cruzados, que transformaram a Mesquita Al-Aqsa em um palácio e o Domo da Rocha em uma igreja.

Ano 1187 d.C.: Saladino, o conquistador muçulmano, reconquista Jerusalém e restaura a Mesquita Al-Aqsa e o Domo da Rocha às suas antigas funções. Jerusalém permaneceria sob o controle muçulmano pelos próximos setecentos e trinta anos até ser conquistada pelos britânicos na Primeira Guerra Mundial. Durante esse tempo, raramente, judeus ou cristãos eram permitidos no Monte do Templo.

Anos 1948-1949 d.C.: Depois que Israel declara independência em 15 de maio de 1948, ocorrem meses de guerra, durante os quais o exército jordaniano conquista grande parte de Jerusalém. A cidade é dividida em setores de judeus e árabes. Nenhum judeu é permitido no Monte do Templo.

Ano 1967 d.C.: Durante a Guerra dos Seis Dias, as forças israelenses conquistaram totalmente Jerusalém, incluindo o Monte do Templo — mas por causa da preocupação de inflamar ainda mais o mundo muçulmano, eles permitiram a continuidade do controle religioso jordaniano do Monte do Templo — embora agora seja permitida a entrada de judeus e cristãos no Monte do Templo, e Israel garanta livre acesso a todos os lugares sagrados de Jerusalém. 

Shalom!

Por: Ashley Scott 

terça-feira, 2 de abril de 2024

O jardim dos ursos polares

Há 157 anos atrás, no dia 30 de março de 1867, o Czar Alexandre II da Rússia vendia o Alasca para os Estados Unidos do presidente Andrew Johnson. O negócio foi fechado pelo valor de 7,2 milhões de dólares. Considerando que 1 dólar de 1867 valia o mesmo que 21 dólares de 2024, podemos corrigir o valor da compra para 151 milhões de dólares atuais ou 140 milhões de euros (1 dólar = 93 centavos de euro) ou ainda 760 milhões de reais (1 dólar = 5 reais).

Os russos resolveram vender o Alasca por duas razões. Em primeiro lugar, o governo de Moscou estava em dificuldades financeiras e portanto precisava de dinheiro. Em segundo, os russos estavam numa disputa geopolítica com os britânicos, em algo parecido com a guerra fria que houve entre Washington e Moscou no século seguinte. Essa guerra fria do século XIX ficou conhecida como "O Grande Jogo" e visava o controle e influência sobre a Ásia Central e Oriente Médio.

A assinatura do tratado de compra e venda do Alasca

Na América, os russos estavam em desvantagem, não estavam em condições de defender o Alasca (que era vizinho da colônia britânica do Canadá) em caso de eventual guerra entre os dois impérios por estar muito longe e separado do resto dos domínios czaristas por um mar e como sabemos o mar era território dos britânicos, eles eram imbatíveis na água. Os russos também não tinham tropas suficientes pra defender o Alasca de tropas canadenses, até porque a população do Alasca era muito pequena, 2.500 pessoas sem contar os indígenas.

Além disso, apesar de ser um território muito grande (1,6 milhão de km2) tentar defender o Alasca não valia a pena do ponto de vista financeiro visto que a principal atividade econômica por lá era o comércio de peles ao mesmo tempo em que não conhecia-se muito sobre a existência de recursos naturais como o petróleo por lá. Assim, os russos resolveram abrir mão dos seus territórios na América em favor do Tio Sam e eles não acharam barato demais receber dos americanos 7,2 milhões de dólares da época pelo Alasca, acharam um bom preço tendo em vista a realidade do momento.

William H. Seward, que foi Secretário de Estado dos EUA durante os governos Abraham Lincoln e Andrew Johnson.

Já do lado americano, a opinião pública achou esse um mau negócio e o secretário de Estado (equivalente ao ministro das relações exteriores do Brasil) William H. Seward foi bastante criticado por ter comprado o Alasca, esse negócio foi chamado de "loucura do Seward" pela população americana e havia quem chamasse o Alasca de "geleira do Seward" e "jardim de ursos polares do Andrew Johnson". O governo de Washington comprou o lugar mais por razões geopolíticas que por razões financeiras.

Na época, os americanos também tinham uma certa rivalidade com os ingleses, ressentimentos da época da independência. Os americanos ainda tinham um pouco de desejo de "libertar" o Canadá da colonização britânica - os canadenses nunca quiseram ser "libertados", não viam-se como escravos de Londres, sempre mantiveram-se leais aos britânicos e até lutaram contra as tropas do "Exército Continental" de George Washington na época da independência americana - e de fato até tinham tentado isso na guerra anglo-americana de 1812.

O cheque com o qual o governo americano pagou os russos pelo Alasca

Quando comprou o Alasca, a principal intenção de Seward era armar uma manobra de flanco contra o Canadá britânico. Além disso, ao comprar o Alasca Washington também estava ajudando uma nação a qual via na época como uma aliada na geopolítica da América do norte (principalmente após a guerra civil) que estava passando por problemas financeiros - a clássica rivalidade Washington x Moscou é posterior à venda do Alasca, é algo surgido já no século XX após a ascensão dos bolcheviques na Rússia e intensificada no pós-segunda guerra mundial. O aniversário da compra do Alasca até hoje é feriado no estado com o nome de "The Seward's Day", "O Dia de Seward".


Silas E. Cardoso 

quinta-feira, 7 de março de 2024

A desconhecida e surpreendente resistência judaica

 

Para acabar com o mito da passividade judaica no período nazista, abaixo um pequeno relato encontrado na biblioteca do museu do holocausto...

A perseguição e o extermínio em massa dos judeus, fez com que alguns grupos  reagissem e passassem a oferecer resistência ao regime. Diferente do que se pensa, os judeus, na medida do possível,  resistiram à opressão nazista de diversas maneiras, tanto coletiva quanto individualmente.

As organizações de resistência armada eram o meio mais enérgico de oposição dos judeus às políticas nazistas nas áreas da Europa ocupadas pela Alemanha. Civis israelitas resistiram de forma armada em mais de 100 guetos em toda a Polônia e em áreas da União Soviética ocupada. Em abril/maio de 1943, os judeus do Gueto de Varsóvia rebelaram-se, usando armas improvisadas e roubadas fora de seus muros, após ouvirem boatos de que os alemães os deportariam para o campo de extermínio de Treblinka. À medida que as unidades da polícia e das SS entravam no gueto, os membros da Zydowska Organizacja Bojowa/ZOB, "Organização da Luta Judaica", e de outros grupos compostos por judeus, atacavam os tanques alemães com coquetéis Molotov, granadas de mão, e revólveres de pequeno calibre. Embora os alemães ficassem surpresos com a ferocidade dos ataques, eles conseguiram acabar com a maior parte da luta em poucos dias. No entanto, demorou quase um mês para que as poderosas forças alemãs conseguissem derrotar totalmente os partisans do gueto, após o que deportaram praticamente todos seus habitantes. Por meses após o fim do Levante de Varsóvia, os judeus daquela região resistiram, escondendo-se entre as ruínas do gueto, mesmo com o patrulhamento das unidades de polícia e das SS, que tentavam extinguir os ataques contra os alemães.

Naquele mesmo ano, os judeus que viviam nos guetos de Vilna, Bialystok, e de outras cidades, revoltaram-se contra os alemães. Mesmo sabendo que a maioria dos habitantes já havia sido deportada para campos de extermínio, e mesmo sabendo que sua luta não conseguiria salvar os israelitas restantes, que não tinham como se defender, ainda assim, eles lutaram pela honra judaica e para vingar os massacres cometidos contra seus irmãos.

Milhares de jovens judeus resistiram fugindo dos guetos para as florestas. Lá, eles se incorporavam às unidades de guerrilha existentes, ou formavam seus próprios grupos contra os ocupantes alemães. É sabido que alguns membros dos "Conselhos Judaicos" (Judenrat) cooperaram com os alemães, embora isto acontecesse sob coação, até que fossem deportados. Contudo, alguns resistiram, como Moshe Jaffe, presidente do conselho da cidade de Minsk, que em julho de 1942 recusou-se a cumprir as ordens alemãs para que entregasse um grupo de judeus para serem deportados.

Também ocorreram rebeliões em três campos de extermínio, Treblinka, Sobibor, e Auschwitz-Birkenau. Em agosto de 1943, em Treblinka, e em outubro de 1943, em Sobibor, os prisioneiros, munidos de armas roubadas do inimigo, atacaram os membros das SS e os guardas da cidade polonesa de Trawniki que colaboravam com os alemães. Os alemães e seus asseclas assassinaram a maioria dos rebeldes durante e após a rebelião, caçando como animais aqueles que haviam escapado. Entretanto, vários prisioneiros conseguiram escapar de seus perseguidores e, assim, sobreviver à guerra. Em outubro de 1944, em Auschwitz-Birkenau, os membros do "Comando Especial Judaico" (Sonderkommando) amotinaram-se contra os guardas das SS. Cerca de 250 judeus morreram durante o combate e, mesmo depois do motim haver sido controlado, os guardas das SS executaram sumariamente outros 200. Alguns dias depois, as SS identificaram cinco mulheres, entre elas quatro judias, que estavam envolvidas no fornecimento de explosivos para que membros do Sonderkommando destruíssem um crematório. As cinco foram assassinadas.

Em muitos países ocupados ou aliados aos alemães, a resistência judaica concentrou-se na ajuda humanitária e no resgate de pessoas. Em 1944, líderes judaicos da Palestina enviaram páraquedistas clandestinos, como a heroína Hanna Szenes, para a Hungria e a Eslováquia, com o objetivo de auxiliar, de qualquer forma possível, os judeus que lá se encontravam escondidos. Na França, vários elementos da resistência judaica uniram-se e criaram diferentes grupos, tais como a Armée Juive (Exército Judeu), que atuava no sul da França. Muitos outros judeus lutaram como membros de movimentos de resistência nacional na Bélgica, na França, na Itália, na Polônia, na Iugoslávia, na Grécia e na Eslováquia.

Nos campos e nos guetos os judeus também responderam à opressão nazista utilizando suas mentes e espíritos. Eles tudo fizeram para preservar a vida comunitária e a história israelita, apesar dos esforços nazistas para que o povo judeu fosse apagado da memória humana. Entre tais respostas, havia a criação de entidades culturais judaicas, a observância das festas e rituais religiosos, provimento de educação israelita de forma clandestina, publicação de boletins, e a coleta e ocultamento da documentação que contava esta história; este é o caso do arquivo "Oneg Shabat", em Varsóvia, onde foi preservado o material que posteriormente contaria a destruição do Gueto de Varsóvia em 1943.

No próximo dia 19 de abril, Israel vai celebrar, e homenagear a memória dos heróis do movimento que virou  símbolo da capacidade de resistência e determinação em salvar vidas do povo judeu em meio a shoah, o 81°aniversario do Levante do gueto de Varsóvia.

Fonte: Museu do holocausto 

De lá pra cá, nada mudou. A sanha assassina que sempre acompanhou a trajetória desse povo, está mais forte do que nunca. 

Israel merece viver em paz.

Shalom!

Paz, até na guerra.

Paulo Dung


domingo, 21 de janeiro de 2024

Islã e a "submissão" da Índia.

O genocídio sofrido pelos hindus da Índia pelas forças de ocupação árabes, turcas e afegãs durante um período de mais de 800 anos ainda não é formalmente reconhecido pelo mundo.


Com a invasão da Índia por Mahmud Ghazni por volta de 1000 DC, começaram as invasões muçulmanas no subcontinente indiano que duraram vários séculos. 


Para se ter uma noção da crueldade...

Nadir Shah fez uma montanha com os crânios dos hindus que matou apenas em Delhi. Babur ergueu torres d

e crânios hindus em Khanua quando derrotou Rana Sanga em 1527 e mais tarde repetiu os mesmos horrores após capturar o forte de Chanderi. Akbar ordenou um massacre geral de 30.000 Rajputs depois de capturar Chithorgarh em 1568. Os sultões Bahamani tinham uma agenda anual de matar um mínimo de 100.000 hindus todos os anos.

A história da Índia medieval está repleta de exemplos desse tipo. O holocausto dos Hindus na Índia continuou durante 800 anos, até que os regimes brutais foram efetivamente dominados numa luta de vida ou morte pelos Sikhs no Punjab e pelos exércitos Hindu Maratha noutras partes da Índia no final do século XVIII.

Temos evidências literárias elaboradas do maior holocausto do mundo a partir de relatos históricos contemporâneos de testemunhas oculares. Os historiadores e biógrafos dos exércitos invasores e dos subsequentes governantes da Índia deixaram registos bastante detalhados das atrocidades que cometeram nos seus encontros diários com os hindus da Índia.

Estes registos contemporâneos vangloriavam-se e glorificavam os crimes que foram cometidos – e o genocídio de dezenas de milhões de hindus, sikhs, budistas e jainistas, as violações em massa de mulheres e a destruição de milhares de antigos templos e bibliotecas hindus/budistas foram bem documentados, fornecendo provas sólidas do maior holocausto do mundo.

Citações de historiadores modernos...
Koenraad Elst em seu artigo “Houve um Genocídio Islâmico dos Hindus?” afirma:

“Não existe uma estimativa oficial do número total de mortes de hindus nas mãos do Islã. Uma primeira olhada em testemunhos importantes de cronistas muçulmanos sugere que, ao longo de 13 séculos e num território tão vasto como o Subcontinente, os Guerreiros Sagrados Muçulmanos mataram facilmente mais Hindus do que os 6 milhões do Holocausto. Ferishtha lista diversas ocasiões em que os sultões Bahmani, na Índia central (1347-1528), mataram cem mil hindus, o que estabeleceram como meta mínima sempre que sentiam vontade de punir os hindus; e eles eram apenas uma dinastia provincial de terceira categoria.

As maiores matanças ocorreram durante os ataques de Mahmud Ghaznavi (1000 dC); durante a conquista real do Norte da Índia por Mohammed Ghori e seus tenentes (1192 e seguintes); e sob o Sultanato de Delhi (1206-1526).“

Ele também escreve em seu livro “Negation in India”:

“As conquistas muçulmanas, até ao século XVI, foram para os hindus uma pura luta de vida ou morte. Cidades inteiras foram incendiadas e as populações massacradas, com centenas de milhares de mortos em cada campanha, e números semelhantes deportados como escravos. Cada novo invasor fez (muitas vezes literalmente) suas colinas de crânios hindus. Assim, a conquista do Afeganistão no ano 1000 foi seguida pela aniquilação da população hindu; a região ainda é chamada de Hindu Kush, ou seja, massacre hindu.”

Will Durant argumentou em seu livro de 1935 “A História da Civilização: Nossa Herança Oriental” (página 459):

“A conquista muçulmana da Índia é provavelmente o episódio mais sangrento da história. Os historiadores e estudiosos islâmicos registaram com grande alegria e orgulho os massacres de hindus, as conversões forçadas, o rapto de mulheres e crianças hindus para mercados de escravos e a destruição de templos levada a cabo pelos guerreiros do Islão durante 800 dC a 1700 dC. Milhões de hindus foram convertidos ao Islã pela espada durante este período.”

François Gautier em seu livro 'Reescrevendo a História Indiana' (1996) escreveu:

“Os massacres perpetuados pelos muçulmanos na Índia não têm paralelo na história, são maiores do que o Holocausto dos judeus pelos nazistas; ou o massacre dos Arménios pelos Turcos; mais extenso ainda do que o massacre das populações nativas da América do Sul pelos invasores espanhóis e portugueses.”

mughal-india-bhai_dyalaji_201011-22 (28K)Alain Danielou em seu livro Histoire de l'Inde escreve:

“Desde o momento em que os muçulmanos começaram a chegar, por volta de 632 d.C., a história da Índia tornou-se uma longa e monótona série de assassinatos, massacres, espoliações e destruições. Foi, como sempre, em nome de uma “guerra santa” da sua fé, do seu único Deus, que os bárbaros destruíram civilizações, exterminaram raças inteiras.”

Irfan Husain em seu artigo “Demônios do Passado” observa:

“Embora os eventos históricos devam ser julgados no contexto de sua época, não se pode negar que, mesmo naquele período sangrento da história, nenhuma piedade foi demonstrada aos hindus que tiveram a infelicidade de estar no caminho dos conquistadores árabes de Sindh e do sul. Punjab, ou os centro-asiáticos que vieram do Afeganistão… Os heróis muçulmanos que figuram mais do que a vida nos nossos livros de história cometeram alguns crimes terríveis. Mahmud de Ghazni, Qutb-ud-Din Aibak, Balban, Mohammed bin Qasim e o sultão Mohammad Tughlak, todos têm mãos manchadas de sangue que a passagem dos anos não limpou. um desastre absoluto.

“Seus templos foram arrasados, seus ídolos destruídos, suas mulheres estupradas, seus homens mortos ou feitos escravos. Quando Mahmud de Ghazni entrou em Somnath em um de seus ataques anuais, ele massacrou todos os 50 mil habitantes. Aibak matou e escravizou centenas de milhares. A lista de horrores é longa e dolorosa. Estes conquistadores justificaram os seus feitos alegando que era seu dever religioso ferir os incrédulos. Cobrindo-se com a bandeira do Islão, alegaram que estavam lutando por sua fé quando, na realidade, estavam entregando-se a massacres e pilhagens diretas…”

Uma amostra de relatos contemporâneos de testemunhas oculares dos invasores e governantes, durante as conquistas indianas:

O governante afegão Mahmud al-Ghazni invadiu a Índia nada menos que dezessete vezes entre 1001 – 1026 DC. O livro 'Tarikh-i-Yamini' - escrito por seu secretário documenta vários episódios de suas sangrentas campanhas militares: “O sangue dos infiéis correu tão copiosamente [na cidade indiana de Thanesar] que o riacho ficou descolorido, apesar de sua pureza, e as pessoas não conseguiram beber… os infiéis abandonaram o forte e tentaram atravessar o rio espumoso… mas muitos deles foram mortos, levados ou afogados… Quase cinquenta mil homens foram mortos.”

No registro contemporâneo - 'Taj-ul-Ma'asir' de Hassn Nizam-i-Naishapuri, afirma-se que quando Qutb-ul-Din Aibak (de origem turco-afegã e o Primeiro Sultão de Delhi 1194-1210 DC) conquistou Meerat, ele demoliu todos os templos hindus da cidade e ergueu mesquitas em seus locais. Na cidade de Aligarh, ele converteu os habitantes hindus ao Islã pela espada e decapitou todos aqueles que não aderiram à sua religião.

Século 18 (41K)O historiador persa Wassaf escreve em seu livro 'Tazjiyat-ul-Amsar wa Tajriyat ul Asar' que quando Alaul-Din Khilji (um afegão de origem turca e segundo governante da dinastia Khilji na Índia 1295-1316 DC) capturou a cidade de Kambayat, no topo do golfo de Cambay, ele matou os habitantes adultos hindus do sexo masculino para a glória do Islã, fez fluir rios de sangue, enviou as mulheres do país com todo o seu ouro, prata e jóias, para sua própria casa, e fez de cerca de vinte mil donzelas hindus suas escravas particulares.

 Certa vez, este governante perguntou ao seu conselheiro espiritual (ou 'Qazi') qual era a lei islâmica prescrita para os hindus. O Qazi respondeu:


“Os hindus são como a lama; se lhes for exigida prata, deverão, com a maior humildade, oferecer ouro. Se um maometano deseja cuspir na boca de um hindu, o hindu deve abri-la para esse propósito. Deus criou os hindus para serem escravos dos maometanos. O Profeta ordenou que, se os hindus não aceitassem o Islão, deveriam ser presos, torturados e finalmente condenados à morte e os seus bens confiscados.”


Timur foi um conquistador turco e fundador da Dinastia Timúrida. A campanha indiana de Timur (1398 – 1399 DC) foi registrada em suas memórias, conhecidas coletivamente como 'Tuzk-i-Timuri'. Neles, ele descreveu vividamente provavelmente o maior ato horrível de toda a história do mundo – onde 100.000 prisioneiros de guerra hindus no seu campo foram executados num espaço de tempo muito curto. Timur, depois de receber conselhos de sua comitiva, diz em suas memórias:

“Eles disseram que no grande dia da batalha estes 100.000 prisioneiros não poderiam ficar com a bagagem e que seria totalmente contrário às regras da guerra libertar estes idólatras e inimigos do Islão.

“Na verdade, não restou outro caminho senão fazer de todos eles alimento para a espada'

Timur então decidiu condená-los à morte. Ele proclamou:

“Em todo o campo, todo homem que tiver prisioneiros infiéis deve condená-los à morte, e quem deixar de fazê-lo deve ser executado e seus bens entregues ao informante. Quando esta ordem se tornou conhecida pelos ghazis do Islão, eles desembainharam as espadas e mataram os seus prisioneiros. 100.000 "infiéis, idólatras ímpios", foram mortos naquele dia. Maulana Nasir-ud-din Umar, um conselheiro e um homem culto, que, em toda a sua vida, nunca matou um pardal, agora, em execução da minha ordem, matou com a sua espada quinze hindus idólatras, que eram seus cativos”.

Shahid (37K)Durante a sua campanha na Índia - Timur descreve a cena em que o seu exército conquistou a cidade indiana de Deli:

“Num curto espaço de tempo, todas as pessoas no forte [de Deli] foram passadas à espada e, no espaço de uma hora, as cabeças de 10.000 infiéis foram decepadas. A espada do Islam foi lavada no sangue dos infiéis, e todos os bens, o tesouro e os grãos que durante muitos anos foram armazenados no forte tornaram-se despojos dos meus soldados.

“Eles atearam fogo às casas e reduziram-nas a cinzas, e arrasaram os edifícios e o forte… Todos estes hindus infiéis foram mortos, as suas mulheres e crianças, e as suas propriedades e bens tornaram-se o despojo dos vencedores.

O imperador Babur (que governou a Índia de 1526 a 1530 dC), escrevendo em suas memórias chamadas de 'Baburnama' - escreveu: “Em 934 AH (2538 dC) ataquei Chanderi e pela graça de Alá o capturei em poucas horas. Massacramos os infiéis e o lugar que durante anos foi Daru'l-Harb (nação de não-muçulmanos) foi transformado em Daru'l-Islam (uma nação muçulmana).”

Nas próprias palavras de Babur, em um poema sobre matar hindus (do 'Baburnama'), ele escreveu:


“Pelo bem do Islã me tornei um
andarilho,
lutei contra infiéis e hindus,
decidi me tornar um mártir.
Graças a Deus me tornei um assassino de
não-muçulmanos!”

As atrocidades do governante Mughal Shah Jahan (que governou a Índia entre 1628 - 1658 DC) são mencionadas no registro contemporâneo chamado: 'Badshah Nama, Qazinivi & Badshah Nama, Lahori' e prossegue afirmando: “Quando Shuja foi nomeado governador de Cabul, ele travou uma guerra implacável no território hindu além do Indo… A espada do Islã rendeu uma rica safra de convertidos… A maioria das mulheres (para salvar sua honra) morreu queimada. Os capturados foram distribuídos entre os Mansabdars (nobres) muçulmanos.”

O governante afegão Ahmad Shah Abdali atacou a Índia em 1757 DC e dirigiu-se à cidade sagrada hindu de Mathura, a Belém dos hindus e local de nascimento de Krishna.

As demais atrocidades que se seguiram estão registradas na crônica contemporânea chamada: 'Tarikh-I-Alamgiri':

“Os soldados de Abdali receberiam 5 rúpias (uma quantia considerável na época) para cada cabeça inimiga trazida. Cada cavaleiro havia carregado todos os seus cavalos com a propriedade saqueada, e em cima dela cavalgavam as meninas cativas e os escravos. As cabeças decepadas foram amarradas em tapetes como feixes de grãos e colocadas nas cabeças dos cativos… Depois as cabeças foram presas em lanças e levadas ao portão do ministro-chefe para pagamento.

Foi uma exibição extraordinária! Diariamente procedia esse tipo de matança e pilhagem. E à noite os gritos das mulheres cativas que estavam sendo estupradas ensurdeciam os ouvidos do povo... Todas aquelas cabeças que haviam sido decepadas foram construídas em pilares, e os homens cativos sobre cujas cabeças aqueles feixes sangrentos foram trazidos, foram obrigados a moer milho, e então suas cabeças também foram cortadas. Essas coisas continuaram até a cidade de Agra, e nenhuma parte do país foi poupada.”

 

Banda Singh Bahadur foi torturado até a morte após ficar preso por 3 meses. O coração do filho de Banda Singh foi colocado em sua boca na tentativa de humilhá-lo.

Porque devemos lembrar...

Porque o maior holocausto da História Mundial, foi apagado da história.

Quando ouvimos a palavra HOLOCAUSTO a maioria de nós pensa imediatamente no holocausto judaico. Hoje, com uma maior sensibilização e inúmeros filmes  e documentários – muitos de nós também estamos conscientes do Holocausto dos povos nativos americanos, do genocídio dos povos arménios no Império Otomano e dos milhões de vidas africanas perdidas durante a escravatura no Atlântico. 


A Europa e a América produziram pelo menos alguns milhares de filmes destacando a miséria humana causada por Hitler e o seu exército. Os filmes expõem os horrores do regime nazista e reforçam as crenças e atitudes da geração atual em relação aos males da ditadura nazista.

Em contraste, olhe para a Índia. Quase não há consciência entre os hindus de hoje sobre o que aconteceu com seus ancestrais no passado, porque a grande maioria dos historiadores reluta em tocar neste assunto delicado.

O mundo parece ignorar ou simplesmente não parece importar-se com os muitos milhões de vidas perdidas durante o holocausto de 800 anos de hindus, sikhs e budistas na Índia.

O historiador indiano Professor KS Lal estima que a população hindu na Índia diminuiu em 80 milhões entre 1000 DC e 1525 DC, um extermínio sem paralelo na história mundial. Este massacre de milhões de pessoas ocorreu durante períodos regulares durante muitos séculos de domínio árabe, afegão, turco e mogol na Índia.

Muitos heróis indianos surgiram durante estes tempos sombrios – incluindo o 10º Guru Sikh – Guru Gobind Singh e também o rei hindu Maratha – Shivaji Maratha – que liderou a resistência contra esta tirania e eventualmente levou à sua derrota no final dos anos 1700 – após séculos de morte. e destruição.

O mundo moderno enfrenta hoje uma ameaça global de organizações e grupos de terroristas como o ISIS, os Taliban e a Al-Qaeda – cuja ideologia é assustadoramente semelhante à dos perpetradores do maior holocausto do mundo na Índia.

Esperemos que as lições sangrentas do passado sejam aprendidas, para que a história não tenha a mais remota possibilidade de se repetir.


Obs. Texto escrito no ano de 2016. 

De lá pra cá...

As  lições sangrentas do passado  não foram sequer esclarecidas, quanto mais aprendidas. 

Ainda assim tudo é possível, e cabe ao próprio homem combater o mal que corrompe o seu meio, e ameaça sua segurança. Lembrando que contemporizar com o mal só enfraquece a defesa do bem.

Que a luz da justiça e da verdade iluminem o caminho da humanidade que se levanta e caminha  em direção ao que há de ser.   

Eterno, O Único,  O Criador nos dá certeza da vitória.

Afinal, ao final, o mal vai ter fim!

"Levantai vossas cabeças..."


Paulo Dung