Nem sei se deveria, no entanto...
- Mais uma vez, o mundo está observando e esperando o próximo lance do presidente russo Vladimir Putin.As expectativas, depois de seu desabafo televisionado de segunda-feira, cheio de queixas anti-ucranianas, do Ocidente e das humilhações da história são muito, muito sombrias.
Putin intensificou significativamente seu confronto com o ocidente ao, com um golpe de caneta, cortar mais dois pedaços de uma nação soberana e independente para adicionar à sua aquisição da Crimeia em 2014.
Moscou disse que enviaria o que chamou de "mantenedores da paz" para as regiões. Apesar de seu eufemismo, os observadores temem que a força de "paz" possa ser a vanguarda da mobilização para a invasão total.
Por pior que seja, essa última rodada da geopolítica de gângsteres e o que se desenrolar nas próximas horas e dias definirá o curso do mundo nos próximos anos.
Se Putin parasse por aqui, é possível que a crise na Ucrânia pudesse ser contida.
Desistir de uma invasão total, mas embolsando novos territórios para barrar o caminho da Ucrânia rumo ao oeste já seria um ganho, péssimo para a Ucrânia, vantajoso para Putin.
Tal passo atrás também poderia evitar uma crise global mais ampla.
Infelizmente, no entanto, a evidência da retórica irada de Putin na segunda-feira e a presença de até 190.000 soldados russos nas fronteiras da Ucrânia, para a maioria dos oficiais de inteligência, sugerem que as esperanças de um conflito limitado são ilusões.
Em seu discurso no Kremlin, Putin deixou claro que vê a Ucrânia como indistinguível da Rússia e não como uma nação independente, um argumento que dificilmente sugere contenção.
Na verdade, seu discurso foi apresentado como justificativa para um empreendimento muito maior do que uma incursão limitada no leste do país.
Ele se referiu à Ucrânia como... "parte integrante de nossa própria história, cultura, espaço espiritual" e se referiu a camaradas, parentes e pessoas "conectadas a nós pelo sangue".
"A Ucrânia moderna foi inteiramente criada pela Rússia", acrescentou.
Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas na noite de segunda-feira, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, argumentou que...
"tropas russas sendo enviadas para o leste da Ucrânia como "manutenção da paz", é um absurdo".
E que... "a força é uma tentativa de criar um pretexto para uma nova invasão da Ucrânia".
➡️ Um discurso que deixou os ucranianos nervosos.
A visão propagandística de Putin sobre a história não foi uma declaração de invasão ou uma tentativa de reunificar a Ucrânia com a Pátria, mas pode muito bem ser lida como uma tentativa de preparar o povo russo para a guerra.
A declaração mais assustadora de Putin , no entanto, veio quando ele pareceu querer lançar as bases para tratar qualquer ataque às forças russas que entrariam no leste da Ucrânia como um pretexto para um conflito mais amplo:
"Daqueles que tomaram e detêm o poder em Kiev, exigimos o fim imediato das hostilidades".
Justo para um governo que, ao contrário dele, foi eleito em eleições livres e justas. Ainda complementou:
"Caso contrário, toda a responsabilidade pela possível continuação do derramamento de sangue recairá inteiramente sobre a consciência do regime dominante no território da Ucrânia."
Esta é a política de Potemkin.
O presidente Putin está acelerando o conflito que ele próprio criou. -
Fonte: Não lembro.