Há 157 anos atrás, no dia 30 de março de 1867, o Czar Alexandre II da Rússia vendia o Alasca para os Estados Unidos do presidente Andrew Johnson. O negócio foi fechado pelo valor de 7,2 milhões de dólares. Considerando que 1 dólar de 1867 valia o mesmo que 21 dólares de 2024, podemos corrigir o valor da compra para 151 milhões de dólares atuais ou 140 milhões de euros (1 dólar = 93 centavos de euro) ou ainda 760 milhões de reais (1 dólar = 5 reais).
Os russos resolveram vender o Alasca por duas razões. Em primeiro lugar, o governo de Moscou estava em dificuldades financeiras e portanto precisava de dinheiro. Em segundo, os russos estavam numa disputa geopolítica com os britânicos, em algo parecido com a guerra fria que houve entre Washington e Moscou no século seguinte. Essa guerra fria do século XIX ficou conhecida como "O Grande Jogo" e visava o controle e influência sobre a Ásia Central e Oriente Médio.
A assinatura do tratado de compra e venda do Alasca
Na América, os russos estavam em desvantagem, não estavam em condições de defender o Alasca (que era vizinho da colônia britânica do Canadá) em caso de eventual guerra entre os dois impérios por estar muito longe e separado do resto dos domínios czaristas por um mar e como sabemos o mar era território dos britânicos, eles eram imbatíveis na água. Os russos também não tinham tropas suficientes pra defender o Alasca de tropas canadenses, até porque a população do Alasca era muito pequena, 2.500 pessoas sem contar os indígenas.
Além disso, apesar de ser um território muito grande (1,6 milhão de km2) tentar defender o Alasca não valia a pena do ponto de vista financeiro visto que a principal atividade econômica por lá era o comércio de peles ao mesmo tempo em que não conhecia-se muito sobre a existência de recursos naturais como o petróleo por lá. Assim, os russos resolveram abrir mão dos seus territórios na América em favor do Tio Sam e eles não acharam barato demais receber dos americanos 7,2 milhões de dólares da época pelo Alasca, acharam um bom preço tendo em vista a realidade do momento.
William H. Seward, que foi Secretário de Estado dos EUA durante os governos Abraham Lincoln e Andrew Johnson.
Já do lado americano, a opinião pública achou esse um mau negócio e o secretário de Estado (equivalente ao ministro das relações exteriores do Brasil) William H. Seward foi bastante criticado por ter comprado o Alasca, esse negócio foi chamado de "loucura do Seward" pela população americana e havia quem chamasse o Alasca de "geleira do Seward" e "jardim de ursos polares do Andrew Johnson". O governo de Washington comprou o lugar mais por razões geopolíticas que por razões financeiras.
Na época, os americanos também tinham uma certa rivalidade com os ingleses, ressentimentos da época da independência. Os americanos ainda tinham um pouco de desejo de "libertar" o Canadá da colonização britânica - os canadenses nunca quiseram ser "libertados", não viam-se como escravos de Londres, sempre mantiveram-se leais aos britânicos e até lutaram contra as tropas do "Exército Continental" de George Washington na época da independência americana - e de fato até tinham tentado isso na guerra anglo-americana de 1812.
O cheque com o qual o governo americano pagou os russos pelo Alasca
Quando comprou o Alasca, a principal intenção de Seward era armar uma manobra de flanco contra o Canadá britânico. Além disso, ao comprar o Alasca Washington também estava ajudando uma nação a qual via na época como uma aliada na geopolítica da América do norte (principalmente após a guerra civil) que estava passando por problemas financeiros - a clássica rivalidade Washington x Moscou é posterior à venda do Alasca, é algo surgido já no século XX após a ascensão dos bolcheviques na Rússia e intensificada no pós-segunda guerra mundial. O aniversário da compra do Alasca até hoje é feriado no estado com o nome de "The Seward's Day", "O Dia de Seward".
Silas E. Cardoso