terça-feira, 28 de junho de 2022

Bichos e homens

Bichos e homens?




Existem animais que definem tão perfeitamente algumas caracteristicas  humanas, que é impossível não associar o bicho à pessoa. Poderia dar exemplos, mas é desnecessário. Todo mundo tem um amigo ou conhecido  que é a cara de algum bicho, ou tem alguma característica do animal na personalidade. 

É assim, dizem, desde o tempo que os bichos falavam. 

Existe algum ser humano que possa se sentir ofendido por ser chamado pelo nome de algum desses nossos amigos, os animais?

Burro, jumento e anta. Veado e gazela,  não são a cara de alguns mesmo?

Por ex. O veado. Desde tempos antigos é assim que são chamados os homens que, se achando livres, gostam de se deitar com outros homens. Tem gosto pra tudo. Respeito a escolha do sujeito. Agora, se você chama o sujeito de veado, o bicho não gosta. Diz que é discurso de ódio. Como se as escolhas não tivessem consequências. O cara escolhe ser veado, mas não pode chamar pelo nome popular. Vamos vendo que, até na cultura espontânea do povo, inventor da linguagem livre de preconceitos, mas cheia de humor, vão metendo a mão. Calando, tirando do povo o que é natural, vão determinando o pensamento, se apropriando da cultura, impondo seu padrão de pensamento.

Tristes tempos. Se, por um lado, parece uma evolução, um ato de "civilidade", por outro vamos vendo que o mundo sucumbiu à essa nova ordem. A verdadeira Nova Ordem Mundial, já existe. É real. Foi implantada lentamente, através das mudanças de valores e do comportamento humano, da aceitação do que é imposto, da criação de um novo modelo de homem. Hoje, esse modelo está pronto e formado.  Atuando obedientemente à favor da mentira, da maldade, e da tirania.

Bem vindos?

O respeito, não deve jamais ser imposto. Quem aceita  a mudança na escala de valores, e troca aquilo que é justo, digno, honrado e aceitável, que aprendemos de nossos pais,  por essa nova ordem imposta, já não é cidadão de um novo mundo? De uma nova ordem?

Fico onde estou.

Paz!



Aprendendo com os animais


"Até que o homem aprenda a respeitar e a dialogar com o mundo animal, nunca poderá conhecer o seu verdadeiro papel nesta Terra”.

famoso mergulhador italiano, Enzo Maiorca, estava mergulhando no mar quente de Siracusa e conversava com sua filha Rossana que estava no barco. Pronto para submergir, sentiu algo bater ligeiramente nas costas. Virou-se e viu um golfinho. Percebeu então que ele não queria brincar, mas expressar alguma coisa.


O animal mergulhou e Enzo o seguiu.
A cerca de 12 metros de profundidade, preso em uma rede abandonada, havia outro golfinho.

Maiorca rapidamente pediu à filha que apanhasse suas facas de mergulho. Em poucos minutos os dois conseguiram libertar o golfinho que, no limite das forças conseguiu emergir, emitindo um "grito quase humano" (assim descreveu Maiorca). Um golfinho pode resistir debaixo d’água até 10 minutos, depois afoga-se.

O golfinho liberto, ainda atordoado, foi controlado por Enzo, Rossana e o outro golfinho. Depois veio a surpresa: Era uma delfina, que logo deu à luz um filhote.

O macho circulou-os e, parando à frente de Enzo, lhe tocou na bochecha (como se fosse um beijo), num gesto de gratidão... e se afastaram.

Enzo Maiorca terminou sua intervenção dizendo: “até que o homem aprenda a respeitar e a dialogar com o mundo animal, nunca poderá conhecer o seu verdadeiro papel nesta Terra”.

Veja o poder de estar atento ao sinais que a vida nos dá.



domingo, 29 de maio de 2022

Jerusalém, e a batalha pelo Monte do templo.

 

A Batalha por Jerusalém





A captura da Cidade Velha de Jerusalém, em 1967, foi, para todos os judeus, uma catarse emocional que é comparável e, em certos aspectos, até superior ao estabelecimento do Estado de Israel, em 1948. Sua reconquista foi um capítulo à parte na história da Guerra dos Seis Dias. Talvez, o mais importante.


Durante dois milênios, o Povo Judeu pediu diariamente em suas orações que Jerusalém e seu ponto central espiritual, o Monte do Templo, voltassem às suas mãos.“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém...” escreveu o profeta Yirmiyáhu durante o exilio na Babilônia.O Povo Judeu nunca se esqueceu de sua capital eterna. A cidade de David sempre foi o foco do anseio de nosso povo da volta à Terra de Israel. O próprio termo “sionismo” advém da palavra “Tsion”, que é um dos nomes da cidade sagrada de Jerusalém.

No dia 7 de junho, apenas 48 horas após o início da Guerra dos Seis Dias, o sonho há muito acalentado se concretizou tão rápida quanto inesperadamente. Uma mensagem percorreu toda Israel: “Har Habait Beiadeinu” - o Monte do Templo está em nossas mãos!”. Naquele dia, o som do Shofar tocado ao pé do Kotel anunciava ao mundo que os Filhos de Israel haviam voltado para seu Muro. Jerusalém, o coração e alma de Eretz Israel e do Povo de Israel, finalmente reunificada, é a capital política do moderno Estado de Israel.

A reconquista foi uma luta árdua, muitos sacrificaram suas vidas, outros tantos foram feridos, mas o heroísmo dos jovens soldados será lembrado por gerações. Elie Wiesel, testemunha ocular da tomada de Jerusalém, escreveu: “O combate ainda perdurava em várias frentes... mas isso não impediu que as pessoas, num êxtase místico, acorressem em direção à Cidade Velha, que estivera inacessível a todos os judeus durante o domínio jordaniano... sobreviventes de todo tipo de inferno, rostos de todo tipo de destino - vi-os correndo, ofegantes... para tocar o Muro. E lá chegando, incrédulos e estupefatos, como crianças que temem o despertar por não querer o fim do sonho, detêm-se, de súbito. Eis que se ouve um choro convulsivo, preces sendo entoadas, enquanto outros dançam, dando vazão à emoção. O país inteiro dançou. A história judaica dançou. Explodindo de júbilo e gratidão pelo privilégio de testemunhar aquele momento, pensei: ‘É isto, Jerusalém, o lugar que atrai e irmana todos os judeus, a verdadeira cidade da saudade e promessa eternas’”.

Em compasso de espera

Em junho de 1967, mesmo quando Israel percebeu que não haveria como evitar um novo conflito contra o Egito e seus aliados, a reconquista de Jerusalém Oriental não estava entres os planos que traçaram. Moshé Dayan, então ministro da Defesa, e o Comando Supremo das Forças de Defesa de Israel (FDI) sabiam que para ganhar a guerra deviam, antes de tudo, derrotar o Egito e concentrar a maior parte de suas forças na frente egípcia. Dayan ordenara aos comandantes  do Exército não se envolver em “ações militares que pudessem complicar a posição de Israel diante da Jordânia”.

No dia 5 de junho, 45 minutos após os aviões israelenses iniciarem o ataque às bases egípcias, o general Odd Bull, comandante de Supervisão de Tréguas das Nações Unidas, recebeu um telefonema do Ministério das Relações Exteriores de Israel solicitando sua presença. Ao chegar ao Ministério, foi-lhe entregue a mensagem de Levi Eshkol para o rei Hussein. O primeiro-ministro pedia, mais uma vez, que a Jordânia não entrasse no conflito. “Se a Jordânia não fizer nenhum ato hostil, Israel tampouco o fará”. O rei da Jordânia ignorou os apelos, pois chegara à conclusão de que sua sobrevivência política dependia de ser visto como parte da coalizão na luta contra Israel.

Durante 19 anos, jordanianos e israelenses tinham-se preparado para o dia em que voltassem a se enfrentar belicamente.

Para Israel, a perda da parte oriental de Jerusalém, principalmente da Cidade Velha de Jerusalém, em 1948, na Guerra de Independência, foi um dia de luto. Nas palavras de Ben-Gurion, “um motivo para chorar por gerações”. A luta contra a Legião Jordaniana foi sangrenta; treinada e armada pelos britânicos, a Legião era a melhor do mundo árabe. Os judeus lutaram corajosamente, mas tiveram que se render, e a Cidade Velha ficou sob a soberania da Jordânia. Conquistadores cruéis, os jordanianos mataram ou expulsaram todos os judeus da área, destruindo suas 60 sinagogas, incendiando-as ou profanando-as, e rasgando centenas de Sefarim. E, apesar dos acordos internacionais de cessar-fogo que garantiam a judeus e cristãos o livre acesso aos lugares sagrados, esse acesso foi proibido aos judeus.  Os cristãos que apresentavam certificado de batismo podiam entrar durante certos feriados.

Nas quase duas décadas os jordanianos haviam montado linhas de defesas praticamente intransponíveis: arame farpado, trincheiras profundas e campos minados corriam ao longo da Linha Vermelha, a linha do armistício de 1948 que separava as duas partes de Jerusalém. A linha estendia-se por pouco mais de 8 km de norte a sul. Para preocupação dos comandantes das Forças de Defesa de Israel (FDI), a muralha da Cidade Velha era o ponto central das defesas da Jordânia.

Desde maio de 1967, perante a possibilidade de uma guerra contra Israel, a população da Jerusalém jordaniana foi tomada por grande euforia. Os alto-falantes das mesquitas incitavam os fiéis a massacrarem os judeus. O líder da OLP, Ahmed Shukeiry, chegou à cidade na sexta-feira, 2 de junho, para participar das preces na Mesquita al-Aksa. Multidões o carregaram nos ombros. Em um discurso inflamado, ele disse: “Israel está às vésperas da destruição e haverá poucos sobreviventes”. Ironicamente, quando a Guerra eclodiu, Shukeiry estava entre os primeiros a fugir da cidade.

Enquanto a Jerusalém jordaniana vivia uma histeria eufórica coletiva, a judaica se preparava para enfrentar uma batalha sangrenta, que teria que ser lutada rua por rua, de casa em casa. Nas semanas que antecederam a guerra foi intensa a mobilização do setor civil. As autoridades municipais implementaram planos tão detalhados quanto os dos militares. Desde o fechamento do Estreito de Tirã, a agência chamada PESACH (um acrônimo das palavras hebraicas para “evacuação, bem-estar e enterro”) começou a preparar edifícios públicos para servirem de centros de evacuação. Temendo-se a ocorrência de milhares de mortos, foi preparado um monte ao lado do Monte Herzl para abrigar um novo cemitério. Havia estimativas que o número de mortos poderia chegar a 2 mil, se aviões jordanianos não bombardeassem a cidade, caso contrário, a 6 mil. Como as FDI temiam o uso de gases mostarda e nervoso, usados pelo Egito no Iêmen, oficiais da haha, defesa civil, receberam treinamento de como agir frente a tal eventualidade.

Voluntariar-se tornou-se uma obsessão. Milhares ficavam em fila para doar sangue, outros tantos participavam de cursos de primeiros socorros das equipes de resgate da Magen David Adom, mais de 2 mil voluntários cavavam diariamente trincheiras perto de apartamentos e escolas que não possuissem abrigos próprios (40% das construções), entre eles 500 alunos de ieshivot. No Shabat após o fechamento do Estreito de Tirã, um dos comandantes da Haga viu alunos de ieshivot, liderados por dois rabinos ortodoxos, cavando trincheiras.

Caberia ao general Uzi Narkiss, comandante das FDI na região Central, com sete brigadas sob suas ordens, enfrentar uma ofensiva jordaniana. Sua principal força de reservistas, a 10a Brigada Mecanizada, estava estacionada na planície costeira. Em caso de guerra, seus velhos tanques Sherman teriam que enfrentar uma brigada jordaniana de 88 modernos tanques Patton estacionados próximo a Jericó. A defesa de Jerusalém, em particular, estava nas mãos da Brigada de Jerusalém, composta em sua maioria por reservistas, muitos com mais de 30 anos, enquanto os israelenses entre 45 e 49 anos compunham os quadros da Haga.

Na noite de domingo, 4 de junho, Narkiss reuniu-se com seus comandantes e um oficial da Inteligência para examinar os deslocamentos das forças da Jordânia. O general estava preparado para a eventualidade de um ataque, mas não acreditava que seria muito mais do que uma troca de tiros transfronteiriços. Caso os jordanianos atacassem pesadamente em Jerusalém o plano de Narkiss era romper as linhas inimigas com sua Infantaria até o Monte Scopus, localizado na parte jordaniana, e levar seus blindados até um terreno elevado entre o Monte e o Palácio de Governo.

O general Haim Bar-Lev, vice-chefe do Estado Maior, porém, o alertara de que suas forças não tinham autorização para atravessar a Linha Vermelha. As ordens do general Yitzhak Rabin, então chefe do Estado Maior, eram claras: “Nada deve ser feito para provocar os jordanianos. Caso a Jordânia abra fogo, Israel responderá, mas sempre tentando evitar a escalada do conflito”. Os eventos, no entanto, foram tomando vida própria.

O ataque jordaniano

Após o ataque surpresa de Israel, Nasser fez de tudo para manter a Jordânia como aliada. Ele sabia que alguns oficiais jordanianos haviam aconselhado ao rei que ao menos esperasse alguns dias para ver o andamento do conflito, antes de atacar Israel. O alto comando egípcio descaradamente “informou” a Hussein que ¾ da Força Aérea de Israel tinha sido destruída e que aviões e o exército egípcio estavam atacando Israel. E uma mensagem foi imediatamente enviada ao general egípcio que coordenava as forças árabes na frente jordaniana, ordenando-lhe iniciar a ofensiva. O que o rei não sabia era que Israel praticamente vencera a guerra três horas após seu início quando sua Força Aérea destruíra a egípcia.

Na manhã de 5 de junho, o Comando Geral das FDI ainda pensava em termos de contenção do conflito, não em expandi-lo. Apesar de Hussein não atender ao apelo de Israel, poucos na alta hierarquia militar e política de Israel acreditavam que haveria uma guerra em grande escala com a Jordânia. A seu ver, caso Hussein interviesse, seria apenas proforma, para satisfazer seus aliados. Baseavam-se, entre outros, no fato de que desde 1963 o rei mantinha reuniões secretas com israelenses para evitar mal-entendidos que pudessem levar a um conflito com o Estado Judeu.

A atitude em relação à Jordânia foi mudando a partir do final daquela manhã por dois fatores. O primeiro era a confirmação do sucesso do ataque aéreo preventivo, e, o segundo, a notícia de que os jordanianos estavam atacando pesadamente alvos militares e civis, e que sua artilharia de longo alcance abrira um pesado fogo sobre Jerusalém Ocidental. Moshé Dayan, então, realocou a 55a Brigada de Paraquedistas – brigada de reserva sob o comando do então coronel Mordechai (Motta) Gur – para defender a Jerusalém judaica.

À medida que as horas passavam tomava forma entre os membros da hierarquia militar e política a possiblidade, até então descartada, de tomar Jerusalém Oriental. O general Narkiss, o ministro Yigal Allon, Menachem Begin e o rabino-chefe do Exército, general Shlomo Goren, entre outros, começam a pressionar para que fosse autorizado inclusive um ataque à Cidade Velha.

O general Narkiss não escondia o fato de que se Israel desse início, em Jerusalém, à guerra de movimento1, ele tentaria tomar a Cidade Velha. Sua motivação era tanto nacional como pessoal. Ele queria corrigir o que considerava a maior mancha em sua carreira militar – ter perdido a Cidade Velha 19 anos antes. Ele se considerava de certa forma responsável pelo fato de que os judeus não podiam rezar no Kotel. “Durante uma noite tive o Portão da Cidade em minhas mãos, mas me foi arrebatado”. A História parecia estar-lhe dando e dando a Israel uma segunda chance...

A batalha por Jerusalém

Eram por volta das 8h30 quando as bombas jordanianas começaram a cair na parte judaica da Cidade.  A Rádio de Amã anunciava  que Israel atacara a Jordânia e,  20 minutos depois, o rei Hussein declarou pelo rádio: “A hora da vingança chegou...”.

O general Narkiss, após ordenar alerta geral em toda a área do Comando Central e dar instruções para os alarmes de ataque aéreo, telefonou a Teddy Kollek, então prefeito de Jerusalém, dizendo: “Estamos em guerra, mas está tudo sob controle. Você está prestes a ser o prefeito de uma Jerusalém Unificada!”.

Dois eventos aceleraram a decisão das FDI de avançar sobre a parte jordaniana de Jerusalém. O primeiro ocorreu por volta das 14 h.  O comandante da Brigada de Jerusalém informou Narkiss que legionários jordanianos haviam ocupado o antigo Palácio de Governo onde ficava o Q.G. das Nações Unidas.  O local era militarmente estratégico, pois domina a estrada Bethlehem-Hebron pela qual os jordanianos podiam obter reforços. Israel teria que desalojar os legionários do prédio e ocupar os entroncamentos por onde tropas inimigas podiam se movimentar. Narkiss ligou ao comandante da 10a Brigada de Blindados. “Coloquem suas forças na estrada para Jerusalém. É a nossa chance de conquistá-la!”.

Mas foi o anúncio da rádio egípcia afirmando que tropas jordanianas haviam capturado o Monte Scopus que mudou o curso do conflito. Israel sabia que o anúncio era falso, mas também, sabia que significava que um ataque jordaniano ao enclave israelense era iminente. Uma das preocupações das FDI sempre foi a segurança dos 122 soldados estacionados no Monte Scopus, no lado jordaniano da cidade. A Brigada de Jerusalém podia deter qualquer ataque, mas se o Monte caísse em mãos jordanianas, sozinha a Brigada não conseguiria furar as formidáveis defesas construídas em volta dele pelos inimigos.  Com a chegada da 55a Brigada de Paraquedistas comandada pelo coronel Gura batalha por Jerusalém toma outras proporções. O Comando Geral autorizara Narkiss a iniciar um contrataque assim que o batalhão de paraquedistas chegasse a Jerusalém.

A ordem era chegar até o Monte Scopus e libertar a guarnição de soldados israelenses que estavam cercados. Para consegui-lo, teriam que romper as defesas jordanianas, penetrar campos minados, destruindo sólidas defesas fronteiriças, e lutar através de pelo menos 1,5 km em uma cidade edificada, na qual ninhos de metralhadoras e homens armados com rifles estavam emboscados atrás de janelas. E, assim que o Monte Scopus estivesse em suas mãos, tomariam posições estratégicas na Jerusalém Oriental para criar uma situação que lhes permitisse irromper pela Cidade Velha.  Gur estava ciente de que ele e sua brigada iriam enfrentar um combate difícil, mortal, mas estavam prontos. Tendo nascido em Jerusalém, assim como Yitzhak Rabin, Uzi Narkiss e Moshé Dayan, há anos Gur acalentava o sonho de tomar parte de uma batalha pela cidade.

Ao chegar a Jerusalém Gur incumbe os três comandantes de batalhão de sua Brigada, cada um com objetivo específico, para preparar um assalto cruzado à Linha Vermelha, ao longo de um setor demarcado ao norte pela Colina da Munição e pela Escola de Polícia da Jordânia, no centro pelos bairros Shaikh Jerrah e Wadi Joz,  e ao sul pelo Hotel American Colony e pelo Museu Rockefeller.  Os comandantes tinham uma hora para traçar seus planos para, em seguida, colocá-lo em prática.

Os israelenses lutariam, à noite, num ambiente urbano desconhecido, pois há 19 anos nenhum judeu podia aventurar-se pelas ruas da Jerusalém Oriental e havia apenas meia dúzia de mapas mal feitos da parte jordaniana da cidade. Os soldados não poderiam contar com reforços, não teriam apoio de blindados e armamentos pesados, tampouco tinham alguma experiência em atacar uma cidade daquele porte ou de combate de casa em casa, ainda tendo que ter o cuidado para não danificar locais sagrados de três religiões.

Uma missão que parecia impossível foi realizada: na manhã do dia 6 de junho, após uma luta impiedosa, estavam em mãos de Israel o Monte Scopus, assim como pontos estratégicos. Ainda estavam em mãos da Legião Árabe o Cume Augusta Victoria, o Monte das Oliveiras e a Cidade Velha. Mas, as Brigadas Harel e de Jerusalém já controlavam três dos quatro acessos à cidade.

As vitórias custaram caro para Israel; muito sangue de jovens israelenses havia sido derramado durante a longa noite. Muitas vidas ceifadas. O número de feridos era imenso e as maiores baixas eram dos comandantes. Mas, graças ao heroísmo dos paraquedistas e dos outros soldados, naquele segundo dia de guerra, era grande a possibilidade de uma Jerusalém unificada e israelense. Algo que até então estava além de qualquer esperança ou imaginação agora estava ao alcance de Israel.

Israel, porém, encontrava-se perante um grande dilema de tomar ou não a Cidade Velha. As implicações políticas e diplomáticas eram muitas: o Vaticano, centenas de milhões de cristãos e de muçulmanos iriam aceitar que seus lugares sagrados ficassem em mãos de judeus? Mas não podíamos perder a possibilidade histórica, única, que se abria depois de dois mil anos de exílio de voltar a ter em nossas mãos o Kotel Hamaaravi.

O rabino chefe das FDI, general Shlomo Goren, o general Narkiss, o coronel Motta Gur, Menachem Begin, Levi Eshkol, Abba Eban e tantos outros pressionaram Moshe Dayan que ainda relutava em ordenar a tomada da Cidade Velha.

Pouco antes do amanhecer do segundo dia Begin ligara  para Dayan informando que o Conselho de Segurança da  ONU iria declarar um cessar-fogo. “Se isso acontecer”, disse Begin  com voz perturbada, “a Cidade Velha, o Muro das Lamentações e o Monte do Templo permanecerão em mãos árabes. Isso não podemos permitir”.

Tomando a  Cidade Velha

De acordo com o plano rapidamente traçado pelo Alto Comando, Israel iria tomar as colinas que circundam Jerusalém – além do Monte Scopus, o Cume Augusta e o Monte das Oliveiras - e manter as posições até segunda ordem. As forças de Israel iriam estabelecer um anel de aço ao redor da Cidade Velha, mas manteriam um corredor aberto para a Legião Árabe poder escapar. Era imprescindível preservar os Locais Sagrados. O que Israel pretendia era deixar a Cidade Velha cair por si só.

Moshé Dayan ainda estava com dúvidas, temia a indignação da comunidade mundial caso os locais sagrados cristãos e muçulmanos fossem destruídos ou danificados pela ação israelense. Pior ainda seria tomar o Kotel e ter que devolvê-lo perante a pressão internacional, Dayan viu isso acontecer no Sinai. Toda relutância de Dayan se esvaiu ao receber o comunicado de que as forças jordanianas estavam abandonando o local, e que poucos ainda resistiam.

Os comandantes finalmente receberam o tão esperado sinal verde. Yitzhak Rabin ordenara a Gur: “Irrompam imediatamente pela Cidade Velha e a conquistem”. Gur aguardava por aquela ordem nas últimas 24 horas; de fato, durante toda a sua carreira militar. Ele sabia que a Nação Judaica vinha esperando ouvir aquela ordem há 19 séculos – a última vez que um exército judeu estivera nas muralhas da Cidade Velha fora durante o sítio de Jerusalém, comandado pelo general Tito, futuro imperador de Roma.Ironicamente, ainda que o exército tivesse planos de contingência para virtualmente cada alvo e circunstância concebíveis no Oriente Médio, não havia um sequer que cobrisse a tomada da Cidade Velha, mas com a possibilidade de um iminente cessar-fogo o ataque tinha que ser executado o mais rápido possível. Israel iria estrangular a Cidade Velha pelo Sul.

Até então a ordem do Alto Comando era não atingir a Cidade Velha com artilharia, a despeito da provocação, mas com a iminência do ataque, foi dada permissão de bombardear a extremidade esquerda da cidade murada, por trás do ponto de entrada escolhido – a Porta dos Leões. Os canhoneiros precisavam tomar cuidado para evitar que se atingisse o Monte do Templo, a poucos metros à direita da Porta dos Leões. A decisão de irromper justamente por essa entrada, na muralha oriental da cidade, fora tomada ainda naquela manhã. Até o final da noite anterior o plano era avançar pela Porta de Herodes, na muralha norte.

Foi do topo do Monte das Oliveiras que o coronel Motta Gur ordenou à sua Brigada de Paraquedistas para atacar. “55a Brigada de Paraquedistas”, disse Gur a seus homens, “estamos daqui de cima, com a Cidade Velha a nossos pés. Dentro em breve adentraremos na antiga cidade de Jerusalém, que por gerações foi o motivo de nossos sonhos e a razão de nossas aspirações. Nossa brigada recebeu o privilégio de ser a primeira a nela entrar.” Ordenou a seguir que todas as unidades se pusessem em marcha. As quatro companhias do batalhão atingiriam as quatro principais posições jordanianas na colina, de frente, logo ao início da tarde.

Os veículos militares aproximaram-se da Porta dos Leões vindo pelo Norte, justo quando os tanques chegavam do Sul. Os tiros ainda vinham ao longo da muralha da Cidade Velha e os tanques respondiam com suas metralhadoras, abstendo-se de atirar bombas para evitar danificar o Domo da Rocha.

O general Narkiss, que estava no Monte Scopus com seu grupo avançado de comandos, quando ouviu Gur ordenar o avanço, também seguiu em direção à Porta dos Leões. Com ele no jipe estava o general Haim Bar-Lev. Narkiss não conseguia esquecer sua última entrada na Cidade Velha, 19 anos antes. “Não deveríamos entrar se for para sair de novo”, bradou. “Daqui, nunca mais sairemos”, respondeu-lhe Bar-Lev.

Uma vez aberto a Porta dos Leões, Gur ordenou a seu motorista ir em direção ao Monte do Templo. Este surgiu imponente, e vazio. Depois de uma luta ferrenha nenhum jordaniano parecia estar lá.  Ordenou no radio a todas as unidades cessar-fogo e dirigindo-se ao general Narkiss disse:  “O Monte do Templo está em nossas mãos. Repito. O Monte do Templo é nosso”. Ao chegar no topo do Monte ordenou que a Bandeira de Israel fosse hasteada sobre o Kotel HaMaaravi!

O relógio marcava 10h21–  48 horas após o início do combate em Jerusalém. 

Os paraquedistas que iam chegando à então estreita rua diante do Muro ficavam em silêncio, conscientes de que eram os primeiros soldados de um exército judeu a lá chegar em dois milênios.

O rabino-chefe das FDI, o general Goren, que avisara a Gur que ele desejava ser o primeiro homem a aproximar-se do Muro, adentrou a Cidade Velha carregando um Sefer Torá e um Shofar. Um dos comandantes da companhia de tanques o carregou e, do alto do tanque, o rabino Goren tocou bem alto o Shofar, continuando a soprar, ele correu para o Monte do Templo. Lá, abraçou Gur e pediu vinho para fazerem o Kidush. Em seguida, ainda agarrado ao Sefer Torá, o rabino Goren puxou uma dança chassídica com os paraquedistas e começou a cantar o Hatikva, mas os soldados o interromperam entoando a nova canção de Naomi Shemer, “Yerushalaim shel Zahav”, Jerusalém de Ouro.

Centenas de soldados, vindo por todos os lados com os rostos banhados de lágrimas acorriam à pequena ruela diante do Muro. Aproximavam-se do Kotel para tocar as pedras milenares, alguns comprimiam o rosto nas pedras. Durante dois dias tinham obedecido a ordens, lutado contra a dor e o medo; tinham sangrado, foram feridos, tinham visto tombar seus camaradas, mas agora estavam lá! Enquanto o suor da batalha ainda brilhava neles repetiram as palavras do rabino Goren: “Shehecheyanu… Aquele que nos manteve com vida, nos preservou, e nos permitiu  chegar a este momento com vida...”.

A seguir, em posição de sentido e fazendo continência ao Kotel, eles recitaram chorando o Kadish pelos camaradas tombados na batalha. Enquanto o rabino Goren cantava o Hatikva, cada um deles sabia que a volta do Kotel HaMaaravi ao Povo Judeu era uma questão sobre a qual a opinião das Nações Unidas ou qualquer política regional eram totalmente irrelevantes, eles o haviam reconquistado e Israel aí ficaria.

O general Dayan somente conseguiu chegar ao Monte do Templo no início da tarde entrando pela  Porta dos Leões, acompanhado por Rabin. De pé, diante do Muro, escreveu um bilhete que inseriu no Muro: “Que a paz desça sobre a Casa de Israel”.

Shalom 

Amigos de Israel 


BIBLIOGRAFIA
Pressfield, Steven, A Porta dos Leões, Editora Contexto
Rabinovich,Abraham, The Battle for Jerusalem: An Unintended Conquest (50th Anniversary Edition), ebook Kindle
Clifford, Irving, The Battle Of Jerusalem
- A Short History Of The Six-Day War: June 1967
, eBook Kindle


sábado, 28 de maio de 2022

Mahjong. Ou, o vento do leste

 Pequim 2008, de Liu Yi

Esta obra, chamada "Pequim 2008", mostra quatro jovens jogando Mahjong.

A mulher com tatuagens nas costas é a China. À sua esquerda, extremamente focado no jogo, está o Japão. À frente da China, a mulher usando roupas e com a cabeça virada para o lado é os Estados Unidos. Deitada no chão está a Rússia. A garota de pé à direita é Taiwan.

As peças que podemos ver do jogo da China são o "Vento do Leste", e elas possuem um duplo sentido: primeiro, significam o renascimento da China como poder global. Segundo, que o poderio militar chinês já foi colocado na mesa. A impressão que se tem é a de que a China está indo bem no jogo, apesar de não conseguirmos ver o resto de suas peças. A China tem também, à sua disposição, algumas peças escondidas debaixo da mesa, atrás de seu pé.

A Rússia parece não se interessar muito pelo jogo, mas isto não é verdade. Um de seus pés está timidamente encostado nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que uma de suas mãos passa uma peça escondida para a China. Ambos os países parecem estar trocando benefícios em segredo. O Japão está concentrado em suas peças, sem perceber o que os outros fazem por estar extremamente focado (ou pensando demais em si mesmo?).

Taiwan está usando uma tradicional peça de roupa que cobre o peito, simbolizando que o país é um herdeiro verdadeiro da cultura e civilização chinesa. Em uma mão, segura uma tigela de frutas. Na outra, uma faca de cozinha. Sua expressão, ao olhar para a China, é de tristeza e ódio. Talvez, também, frustração, por não poder jogar o jogo. Não importa o vencedor, seu papel sempre vai ser o de servir frutas.

Do lado de fora, o rio está escurecido pelas nuvens, sugerindo que a tensão entre as nações é perigosamente explosiva. A pintura na parede mostra o rosto de Mao, mas com a cabeça careca de Chiang Kai-shek e o bigode de Sun Yat-sen.

O modo pelo qual as quatro mulheres estão vestidas representa a situação geopolítica de cada país em relação aos outros. A China está nua da cintura para cima, usando uma saia e roupa de baixo. Os Estados Unidos usam uma anágua e uma jaqueta leve, mas estão nus da cintura para baixo. A Rússia só veste suas roupas íntimas, e o Japão está nu.

À primeira olhada, os Estados Unidos parecem bem compostos e em uma boa posição, afinal os outros estão em diversos níveis de nudez. Porém, apesar dos EUA parecerem radiantes, sua vulnerabilidade já foi exposta. A China e a Rússia parecem nuas, mas suas partes íntimas continuam cobertas.

Assumindo que o jogo implique em o jogador tirar peças de roupa conforme perde jogadas, se a China perder, vai ficar no mesmo estado da Rússia (o mesmo que a União Soviética ficou quando foi dissolvida). Se os EUA perderem, também ficarão no mesmo estado da Rússia.

Se a Rússia perder, vai ficar sem nada. A Rússia age com desinteresse, mas ao passar peças para a China, está estabelecendo uma aliança secreta. O Japão já perdeu tudo, e vai sair do jogo se perder novamente.

Os Estados Unidos parecem estar em uma posição melhor, mas correm mais risco do que o resto. Se perder esta jogada, deixará de ser O poder global. A Rússia está jogando para os dois lados, assim como a China quando era subdesenvolvida e pendia para o lado da União Soviética e dos EUA simultaneamente. Como não tinha como sobreviver sozinha, ela agradava ambos os países para conseguir se desenvolver.

Não podemos ver a maioria das peças da China. Isto sugere que ela pode ter muitos ases escondidos.

Os EUA parecem confiantes, e estão olhando para Taiwan, talvez tentando interpretar algo em sua expressão. Quem sabe assim consiga saber o que está acontecendo entre a Rússia e a China?

Taiwan olha para o jogo de maneira fria, querendo participar mas conformada em apenas observar. Ela vê tudo que os jogadores estão fazendo, e entende as alianças de poder. Mas ela não tem os meios nem permissão para entrar no jogo, não pode nem ao menos falar. Mesmo cheia de motivos para reclamar, ela não o faz. Tudo o que pode é ser uma boa serva e dar frutas frescas ao vencedor.

As posições de poder são a da China e a dos EUA. Mas apesar dos Estados Unidos parecerem dominantes, eles estão, afinal, jogando mahjong chinês, e não pôquer ocidental. No final, ao seguir as regras de um jogo chinês, quantas chances de vitória os Estados Unidos têm?

FONTE: Beijing 2008, a painting by Liu Yi

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Então, foi o socialismo que realmente destruiu a Venezuela?

 Resposta de um venezuelano...




Sou venezuelano, vivo na Venezuela, sou politicamente a favor da social-democracia de livre mercado (não confundir com socialismo “democrático”, socialismo utópico, nacional-socialismo, socialismo científico ou o Socialismo do Século 21 de Hugo Chávez) e tenho estudado meu país ao longo dos últimos 35 anos. Estou assumindo o risco de escrever isto, esperando que o governo simplesmente não se importe comigo.

Nota: Alguns dos links nas notas de rodapé levam você ao artigo original (muito semelhante, sobre a fome na Venezuela), onde os links reais estão no final do artigo.

Nota: Socialismo  é a ideologia inspirada por Karl Marx e Friedrich Engels baseada em uma economia de mercado controlada (em oposição à economia de mercado livre) que coloca o empoderamento do estado sobre o empoderamento do indivíduo, que dá preponderância para propriedade coletiva sobre propriedade privada, autoridade governamental sobre direito substantivo e planejamento central sobre o livre fluxo de informações de mercado (AF Hayek). Não tem nada a ver com a forma como os governos usam o dinheiro dos impostos, seja para saúde, educação, serviços públicos, militares ou infraestrutura.

Então, foi o socialismo que realmente destruiu a Venezuela?

A resposta é SIM! Foi o Socialismo Aplicado, que é o que chamei de resultado de quando o socialismo teórico é implementado, quando é aplicado. É a realidade que acontece quando a teoria é aplicada. O Socialismo Aplicado é o que os socialistas chamam de “socialismo não real” depois de falhar.

Neste exato momento, a Venezuela é a quarta nação do mundo em maior risco de fome massiva, mesmo possuindo as maiores reservas de petróleo do mundo, e muito ouro. Além de ser a única cuja causa da fome  não é a guerra, mas simplesmente seu próprio governo.

Destruição é isso. Coisas extremas estão acontecendo, como uma mãe passando fome caminhando para o necrotério levando sua filha falecida, morta pela fome. Ela primeiramente levou a criança desnutrida a dois hospitais, enquanto estava viva, mas o atendimento foi recusado, porque não havia eletricidade. Isso aconteceu em Valencia, a terceira maior cidade da Venezuela. Foi em meio a um apagão, uma ocorrência diária na Venezuela.

Mãe com a filha morta em seus braços [1].


Os médicos venezuelanos que permanecem no setor público de saúde (a maioria emigrou) vêem essa desnutrição diariamente.

Outras coisas extremas são os pobres vasculhando e buscando por comida, incluindo a caça de animais urbanos, como cães e gatos vadios e animais do campo, como aconteceu com 11 crianças que morreram em janeiro de 2020 em um incêndio no campo enquanto caçavam coelhos para ter alguma proteína para comer.

Aqui neste vídeo do Twitter, uma mãe pobre no Dia das Mães (5 de maio de 2020), em Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela, pergunta como pode haver um Dia das Mães quando ela e sua família não têm água encanada, sofrem com  os apagões constantes, não há gás para cozinhar, além de não comerem há 2 dias.

Heartbreaking. For those who don't speak spanish. She says they haven't eaten in 2 days, they don't have running water. The government didn't help with a food bag and the hunger is killing them. Amilcar Boscan on Twitter

— Jul (@julthinks) May 10, 2020

Destruição, não é só comer cães vadios. É comer até mesmo cavalos puro-sangue valorizados, como aconteceu em junho de 2020 com o campeão da dupla coroa Ocean Bay e a égua grávida Aquila [5]. Agora há mais comida na Venezuela porque o governo Nicolás Maduro eliminou os impostos de importação sobre a maioria das mercadorias estrangeiras (inclusive dos EUA. Não há sanções amplas contra os venezuelanos, apenas contra o comércio com o governo venezuelano e seus comparsas) . O governo também permitiu a circulação de dólares americanos, a moeda mais utilizada por aqui [6]. No entanto, a maioria pobre não pode pagar nenhum dos alimentos importados. Os venezuelanos mais pobres precisam comer qualquer coisa, inclusive cães vadios, que se aproximam desses caçadores urbanos abanando o rabo e procurando conforto humano em sua própria sede e desnutrição, apenas para serem mortos a facadas e comidos. E isso inclui os milhares de animais domésticos que foram soltos porque as famílias não têm mais condições de alimentá-los [7]. Eu pessoalmente resgatei alguns e apoio essas organizações de proteção animal que estão tentando ajudar [8].

60% dos venezuelanos não comem proteínas ou frutas regularmente porque não podem pagar, e comem apenas os carboidratos mais baratos, razão pela qual tantos bebês estão morrendo de desnutrição, conforme retratado neste artigo de fevereiro de 2020: 'It's a pain you will never overcome': crisis in Venezuela as babies die of malnutrition ('É uma dor que você nunca vai superar.  Ou, não há crise na Venezuela quando os bebês morrem de desnutrição?).

Aqui está um exemplo típico, postado por um médico no Twitter: Emmanuel, uma criança de 10 anos com paralisia cerebral que pesa apenas 10 quilos (22 libras), filho de uma mãe pobre que só pode pagar sopa de abóbora diariamente .

Emmanuel, 10 años tiene un cuadro de desnutrición severo, pesa 10 kilos, tiene parálisis cerebral, debido a la situación del país 🇻🇪 a su mamá se le hace difícil comprarle alimentos, solo le da es sopa de Auyama, por que no tiene para el tetero, quien pueda ayudar
⬇️ 
@GotasEVzla pic.twitter.com/kbkXZhtqUe

— Pedro Paolucci (@paolucci40) March 8, 2020

Para alimentar seus filhos, milhões de pais deixaram seus filhos procurar trabalho em países vizinhos como Colômbia, Brasil, Equador e Peru, o que lhes permite enviar dinheiro para casa para alimentar os filhos, mas existem milhões de crianças sem pais na Venezuela, agora: A million children left behind as Venezuela crisis tears families apart 

(um milhão de crianças deixadas para trás enquanto a crise na Venezuela dilacera famílias).

Além dos filhos, muitos idosos, que dependiam dos filhos e filhas para viver, foram abandonados. Você os vê nos semáforos, implorando, e todos eles compartilham a mesma história: “Eu tenho filhos, mas eles deixaram o país”.  Elders Left Behind: Invisible Victims of Venezuelan Migration | Caracas Chronicles (Anciãos deixados para trás: vítimas invisíveis da migração venezuelana). 

Até a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), determinou que a partir de 2013, a taxa de desnutrição no país cresceu acima de 400%, estando duas em cada cinco pessoas extremamente mal nutridas. Em outras palavras, passando fome. Isso coloca a Venezuela ao lado de países em guerra como Iêmen, Síria e Ucrânia mas não há guerra na Venezuela, apenas um sistema político-econômico desastroso: o Socialismo Aplicado. (Socialismo Teorético ou “Real” não pode e nem deve existir na prática). Esta é a razão pela qual o governo Nicolas Maduro não permite mais a entrada no país da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ou do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) 

Esse vídeo da reportagem da Al Jazeera de 2017 resume isso. Hoje as coisas são diferentes porque agora há mais alimentos nos supermercados graças a uma estratégia de importação sem impostos, mas os bens são impagáveis ​​para a maioria: https://players.brightcove.net/665003303001/4k5gFJHRe_default/index.html

Para dar aos leitores internacionais alguma perspectiva local, 90% da população aqui, agora, é pobre[6][7][8], com 65% estando na extrema pobreza (ganhando por volta de 10 centavos de dólar por dia. Sim, US$ 0,10), isso tudo apesar da Venezuela ter sido a 4ª economia mais rica do mundo nos anos 50 e o país mais rico da América Latina per capita até as décadas recentes[9], e era a mais estável democracia capitalista ocidental na América Latina. Alguns restaurantes ainda estão abertos e eles tem clientes[10], assim como bonitos shoppings [11][12][13], e alguns supermercados bem estocados [14][15] (até alguns do governo chamam a CLAP que importa comida não saudável (junk food) americana e a vende em dólares americanos[16]) e boas lojas [17], mas tudo isso é normalmente para os 10% da população que tem renda e poupança em dólares americanos, incluindo os absurdamente ricos socialistas das classes dominantes, que estão agora ganhando dinheiro com mineração  ilegal, e ambientalmente desastrosa, de ouro destruindo a Amazônia [18]. Essa Venezuela paralela, na qual há diariamente mercadorias em abundância para uma pequena elite a preços de luxo, é também uma ocasião especial para os 30% que recebem dinheiro de famílias que trabalham no exterior exatamente para poder enviar a eles dinheiro [19]. As lojas que atendem a maioria desafortunada estão sem estoques e o que tem, não cabem no bolso da maioria [20].

Para colocar as coisas em perspectiva, a maioria dos venezuelanos hoje ganham por volta de 800,000 bolívares soberanos por mês. O salário mínimo, que é o que o governo paga para a maioria dos trabalhadores, é de BsS 600,000 mais um equivalente em ticket alimentação. Isso é menos que $3 (três dólares americanos) por mês em maio de 2020, abaixo dos $ 307 por mês quando Hugo Chavez entrou em 1998 e propôs o socialismo [21]. Esses BsS 800,000 são menos que $5 e te garante alguns alimentos básicos como arroz, ervilhas e vegetais. O prazer de um simples hamburger com bebida para dois em uma boa hamburgueria como a Ávila Burger, sai por BsS 4,000,000 (em torno de $20). Isso é quase meio ano de trabalho para muitas pessoas. Um médico na Venezuela do destruído sistema de saúde pública ganha um salário simbólico de oito dólares americanos ($8) por mês[22] e ganha uma cesta de alimentos para compensar, razão pela qual metade dos médicos da Venezuela tem emigrado (praticamente todos os médicos com menos de 40 anos de idade) e 80% daqueles atualmente estudando dizem que irão emigrar tão logo se graduem [23]. No entanto, os médicos nas clínicas privadas onde vão 10% [12] [13] cobram $ 40 a $ 100 por consulta. Isso é o que 90% ganham em 6 meses a um ano e meio. Um professor de faculdade em tempo integral que dê aulas em universidades públicas, ganha por volta de $10 por mês, o que é um salário fora da curva no socialismo. As universidades privadas [14] [15] tiveram que aumentar suas mensalidades para pagar mais aos professores, para que eles não emigrassem. Nessa charge impactante publicada em maio de 2018, uma professora da universidade mais importante da Venezuela nos dá uma ideia de sua vida I am a professor in Venezuela.

O governo te dá mensalmente uma cesta básica chamada CLAP para os poucos “sortudos” dentre seus seguidores, contendo alguns alimentos de baixa qualidade importados do México, Brasil, Turquia, etc. e que tem provado ser uma enorme fonte de corrupção [24], mas para recebe-la você deve se associar ao partido socialista ou no programa do governo de “Identidade da Pátria” [25] e dar apoio a ele, o que inclui ir a passeatas, inclusive carreatas, e mostrar seu apoio a Nicolás Maduro.

A razão pela qual a Venezuela está arruinada [16] é primeiramente pelo fato do governo ter tentado implantar o socialismo e isso resultou, como de costume, no Socialismo Aplicado com seus confiscos, tomada de terras, leis desastrosas, controle cambial, controle de preços, controle da distribuição, controle de salários e da população. A corrupção massiva é outro elemento inseparável do Socialismo Aplicado, porque o governo começa a confiscar e lidar com corporações e se torna empreendedor, criando muitos negócios, projetos e programas para serem administrados por amigos. e isso, é claro, leva à má administração, perdas e corrupção em massa. Aqui está uma lista de alguns projetos fracassados ​​nos quais o governo literalmente torrou  bilhões e nunca terminou,  porque estavam todos, absolutamente todos, atolados na lama da corrupção.

(fique à vontade para rolar para baixo se for muito longo, porém são só alguns). 

             Obs.Contém ironia:

  • A “rede ferroviária mais moderna da América Latina”, aquela que iria comunicar toda a Venezuela.
  • A fábrica chinesa de ônibus Yutong tem capacidade para montar 45 unidades por semana.
  • Os maiores processadores de farinha de milho do continente
  • Muitas pontes sobre o rio Orinoco,
  • A fábrica de fraldas Guayuquitos, a mais moderna e maior da região.
  • As usinas de açúcar Ezequiel Zamora, o refinador de açúcar mais avançado do mundo.
  • Venirauto, a maior montadora de automóveis da região. Joint venture com o Irã. "Carros baratos para o povo."
  • A mais moderna e avançada fábrica de fuzis de assalto AK-47 desta parte do mundo.
  • Os melhores galinheiros verticais da América Latina para cada prédio urbano ter um em sua cobertura.
  • A fábrica de montagem de caminhões Mazven.
  • Maior processadora de alimentos da América do Sul, dentro do programa de “soberania alimentar”.
  • O maior laboratório de medicina para que nunca tivéssemos que comprar nada de empresas farmacêuticas estrangeiras.
  • A Rota da Empanada, distribuindo carrinhos de empanada a donas de casa desempregadas para que se tornassem empresárias.
  • A “Feira do Asfalto”, um programa para ter as melhores estradas de asfalto do continente.
  • O maior gasoduto do mundo, que levaria gás da Venezuela até a Patagônia, passando sob o rio Amazonas, levando gás para Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia e Argentina.
  • As três maiores usinas de dessalinização da região.
  • As balsas marítimas mais modernas do continente.
  • O Centro Recreativo do Rio Guaire (atualmente um rio de esgoto), um lugar onde os venezuelanos supostamente iam com a família para tomar banho, fazer piqueniques e dormir em redes fornecidas pelo governo.
  • Veniran Tractor Company, joint venture com o Iran, maior fábrica iraniana de tratores no mundo.
  • Quilômetros e quilômetros de estradas, rodovias e avenidas.
  • Centenas de hospitais, escolas e universidades construídos pela metade.
  • O sistema nacional de Metro (metrô).
  • A Universidade Popular Bolivariana, onde fica o Palácio Miraflores do presidente.
  • Hospital Centro Nacional do Câncer de Guarenas.
  • Projeto Tuy IV, mais água para os estados de Caracas, La Guaira e Miranda.
  • Sistema de Teleférico Caracas-La Guaira.
  • A Nova Rodovia Caracas-La Guaira.
  • Linha 5 do Metrô de Caracas
  • As padarias socialistas e os restaurantes "arepa". “Pão barato e arepas para o povo”
  • O grande hospital, biblioteca ou universidade do confiscado Sambil Mall La Candelaria (hoje totalmente abandonado)
  • Redes de supermercados Mercal, Pedval e Bicentennial.
  • Metrô Los Teques-Guarenas-Guatire.
  • Uma segunda ponte sobre o Lago Maracaibo.
  • Satélites Simon Bolivar, que foram lançados ao espaço, mas não funcionaram bem.

O controle de preços foi o maior golpe, forçando algumas empresas a vender a custo e até com perdas [17], gerando seu fechamento, falta de estoques [18] e um enorme mercado negro. O governo também confiscou mais de 5500 (mais ou menos o mesmo que Fidel Castro o fez em Cuba) das maiores e mais produtivas indústrias do país e as mal geriu completamente, saqueou e as arruinou. A maioria foi fechada após o confisco/saque, como a empresa venezuelana de brinquedos Kreisel [26], que ainda opera pela metade mas com perdas fabulosas, sangrando dinheiro [27][28].

Isso inclui serviços públicos como o sistema hidráulico, que causou falta de água aqui, apesar de a Venezuela ter uma enorme floresta amazônica, a região com 70% das reservas mundiais de água. A Venezuela está entre os 5%  de países com mais reservas de água no mundo, mas há escassez de água porque os sistemas hidráulicos estão arruinados e a pouca água que chega às pessoas é da mais baixa qualidade, com a maior parte da água contaminada com bactérias e matéria fecal [20]. Antes do socialismo, um encanamento de água danificado levava alguns dias para ser consertado. Hoje, eles simplesmente não são reparados, fazendo com que comunidades inteiras fiquem sem água e fiquem à espera de um caminhão-pipa do governo.

A ruína econômica induzida através desses confiscos, tomada de propriedades, leis desastrosas, controle cambial, controle de preços, etc, fizeram com que 11.000 indústrias dentre as 12.700 que existiam antes de Hugo Chávez fechassem[29][30]. Muitas das empresas produtivas que restaram pertencem a pessoas no governo ou com laços no governo. Essas indústrias obtém privilégios para operar, e algumas são simples esquema de lavagem de dinheiro [31][32][33] [34]. Dentre os pequenos e médios negócios padrão, dos 830.000 que existiam antes do governo atual se reduziram, até 2017, a menos 230.000 restantes [35]. Hoje, menos de 50,000 continuam. Nesse cenários, petróleo se tornou praticamente a única exportação venezuelana, respondendo por 99% das receitas de exportação[36] e a única fonte de moeda forte para o governo (colocando todos os ovos em um única cesta), e tudo isso via a inchada e arruinada empresa estatal de petróleo [37]. Com toda a corrupção, má gestão e enormes gastos em programas sociais populistas e compra de suporte, o governo depende de que o petróleo fique no patamar mais alto há história, acima de $ 130 por barril. Quando os preços do petróleo voltaram ao normal em 2014, a economia teve um colapso total. Nós tivemos escassez (como aquela famosa de papel higiênico em 2007 [38]) e apagões (como aqueles que tivemos em 2010[39]), mas nada como o que aconteceu depois de 2014, o que se tornou o mais colapso econômico, da riqueza aos trapos, que o mundo moderno jamais viu [40].

As coisas chegaram a tal anarquia em algumas partes do país que há grupos motorizados no estilo Mad Max que atacam e saqueiam caminhões que entregam comida. 

O governo simplesmente olha para o outro lado.

Na Venezuela de hoje, o governo de Nicolás Maduro é a maior corporação comercial/industrial e conglomerado, o maior empregador do país, e que também define o salário mínimo (conflito de interesses). O gerenciamento econômico do governo e seu salário-escravo tem levado à ruína industrial e econômica na nação, o sofrimento das pessoas e à maior crise de refugiados na história do hemisfério ocidental[41], a maior dos últimos 50 anos, a quarta na história humana, ultrapassada apenas pela Segunda Grande Guerra Mundial, a separação entre a Índia-Paquistão e Bangladesh. A maior parte dos venezuelanos, apesar de viverem em uma país rico em minerais com as maiores reservas de petróleo do mundo, estão desnutridos[42][43] …e possivelmente estão literalmente passando fome até sua morte [44][45][46][47][48][49]

Tudo isso está ocorrendo sob um contexto de terríveis e flagrantes violações do direitos humanos, que vai de permitir a população passar fome e falta de medicamentos, a prisões ilegais, tortura sistemática, abuso sexual de menores e o assassinato de oponentes políticos, como reportado pelo Alto Comissariado do Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas [50][51]. Isso inclui a prisão de cidadãos comuns por tuitar sua opinião ou informação pública e esquadrões da morte que “eliminam” qualquer oposição ou “inimigos do Estado[52].” Esses esquadrões da morte mataram 7000 pessoas em uma jornada de 18 meses entre 2017 e 2019[53].

Na tortura psicológica mais cruel e perversa dos oponentes, até os cães dos presos políticos foram presos e alguns mutilados, mortos lentamente e filmados em vídeo para os oponentes verem. Um caso conhecido é Oso (Urso), que já foi mantido confinado e espancado por três anos. Seu crime: ser o cão querido de uma pessoa que denunciou, protestou, desertou ou se rebelou contra o governo socialista. Mascotas pagan con la cárcel persecución política a sus dueños (A tortura de prisioneiros políticos inclui tratamento cruel e confinamento de seus animais de estimação) (use traduzir se você não lê espanhol).

Todo o descrito (confiscos, expropriações, controles econômicos, redistribuição de terras, violações de direitos humanos, nepotismo extremo, corrupção extrema, etc.) é o que acontece em todos os países que tentaram implementar o socialismo teórico e nunca conseguiram (por que é impossível), e que eles obtiveram é o Socialismo Aplicado, o qual está destruindo a Venezuela.

Nota adicional

Para aqueles perguntando “Por que a Venezuela não luta por sua Liberdade?”, a maioria tem protestado (constantemente desde 1999[1]) e até se rebelado (casos como Óscar Pérez e o Attack on Fort Paramacay e a mais recente rebelião de Los Teques  de abril de 2020 https://panampost.com/sabrina-martin/2020/04/24/venezuelan-military-rebellion-maduro/). O resultado foram milhares de pessoas mortas (notoriamente estudantes mortos pela polícia política militar), oficiais militares mortos, políticos mortos, mais de 250.000 mortes pela violência na ruas, milhares de prisioneiros e torturados (incluindo membros do congresso e militares honrados), milhões fugindo ou no exílio, e milhões de feridos, muitos para sempre, como nesse caso recente Venezuelan boy, 16, blinded in both eyes after being shot in the face by Nicolas Maduro's henchmen while protesting fuel shortages (garoto venezuelano de 16 anos, cegado em ambos olhos após ter sido atingido no rosto pelos capangas de Nicolás Madura enquanto protestava).

Na Venezuela não há o direito à posse de armas. As pessoas simplesmente não podem se levantar e contra-atacar (Hugo Chaves baniu as armas, como fez Fidel Castro em Cuba). A reposta aos protestos aqui na Venezuela é o envio da Guarda Nacional (a qual, diferentemente das Guardas Nacionais no resto do mundo, é realmente um braço militar do partido do governo PSUV), milícias (braços políticos militares armados do PSUV que se reportam diretamente a Maduro), e os “coletivos” (paramilitares armados em trajes comuns), que fazem todo o trabalho sujo, como os camisas marrons do Partido Nazista de Hitler. Uma população desarmada não pode ter sucesso na luta contra governos armados.

 Nota adicional

Para aqueles que perguntam se as sanções dos EUA são responsáveis ​​pelo colapso da Venezuela, ironicamente, nos últimos 20 anos, os EUA foram o único país a pagar um preço padrão em dinheiro pelo nosso petróleo, enquanto a China e a Rússia o conseguiram a preço de banana por empréstimos que deram a Hugo Chávez e Nicolás Maduro (que esbanjaram) [26] e Cuba recebe 40.000 barris por dia [27] supostamente em troca de médicos cubanos [28] e treinadores esportivos. E sobre as sanções reais dos EUA, elas foram aplicadas exclusivamente a funcionários do governo envolvidos no comércio de drogas [29] [30] e abusos dos direitos humanos. Aqui estão as sanções https://fas.org/sgp/crs/row/IF10715.pdf

As sanções mais recentes, em 2019, foram aplicadas para proteger os ativos venezuelanos nos Estados Unidos da voracidade do governo, como fez o Banco da Inglaterra com 1,6 bilhão em ouro atualmente em Londres [31], à disposição hoje do Assembleia Nacional da Venezuela e não de Nicolas Maduro. O governo venezuelano tem penhorado (e perdido [32]) e liquidado todo o ouro venezuelano que pode colocar em suas mãos [33]. As sanções dos EUA proíbem americanos e empresas americanas de negociar com o governo venezuelano, deixando o governo venezuelano com 194 outros países para comprar produtos, razão pela qual estamos inundados com produtos iranianos, mexicanos e turcos agora. Indivíduos e empresas privadas venezuelanos podem perfeitamente adquirir bens e serviços americanos, como fazem todos os dias.

Notas de rodapé

[1] A Doctor Or Nurse Might Earn Just $6 A Month In Venezuela

[2] As Venezuela Collapses, Children Are Dying of Hunger

[3] Starving Venezuelans 'butcher a DOG in the street to eat'

[4] Eleven young Venezuelans die in fire while foraging for food

[5] Hunger in Venezuela: a thoroughbred star of the racetrack is stolen and eaten

[6] Why Socialist Venezuela Is Counting on the Dollar | OZY

[7] https://www.washingtonpost.com/world/the_americas/venezuelas-crisis-is-so-bad-that-people-are-abandoning-their-beloved-pets/2018/09/12/e7479252-abd3-11e8-9a7d-cd30504ff902_story.html [8] Red de apoyo canino

[9] 1 in 3 Venezuelans Struggling With Hunger, U.N. Study Finds

[10] Maduro seeks to evade international scrutiny by blocking IACHR visit to Venezuela

[11] HRW: Maduro Welcomes Illegal Gold Exploitation & Horrific Abuses | Caracas Chronicles

[12] http://www.clinicaracas.com/

[13] Centro Médico Docente La Trinidad

[14] UCAB | Universidad Católica Andrés Bello

[15] Inicio - Unimet

[16] Venezuela has less cash in its coffers than Jay-Z is worth

[17] Dakazo - Wikipedia

[18] Venezuela crisis - in nine charts

[19] The Bachaquero Death Spiral | Caracas Chronicles

[20] Venezuela’s Water System is Collapsing

[21] The Forces Keeping Maduro in Power | Caracas Chronicles

[22] Maduro Is "Good" at One Thing: Discouraging Defections | Caracas Chronicles

[23] Pro-government groups attack reporters covering Juan Guaidó’s return to Venezuela

[24] La Cadena (1 de 5)

[25] Meet FAES: The Bolivarian Police Death Squads Leading Repression Against Protesters | Caracas Chronicles

[26] Venezuela falls behind on oil-for-loan deals with China, Russia

[27] Despite Humanitarian Catastrophe, Maduro Sends $2.5 Million in Oil to Cuba Daily

[28] Cuban doctors in Venezuela claim they were forced to withhold medical supplies and coerce patients into supporting Nicolás Maduro

[29] Aruba Seized Five Tons Of Pure Cocaine From Ship That Sailed In Venezuela

[30] Venezuela's Government Is So Corrupt It Basically Has Its Own Cartel

[31] Venezuela gold holdings in Bank of England soar on Deutsche deal: sources

[32] Venezuela loses $1.4 billion of gold to banks for guarantees: sources

[33] How 7.4 Tons of Venezuela’s Gold Landed in Africa—and Vanished


Imagem: O abandono ou a entrega de bebês são frequentes na Venezuela — Foto: Guillermo D. Olmo - veja reportagem em Na Venezuela em crise, cada vez mais mães têm sido forçadas a abandonar seus bebês 

Mas a esquerda continua jurando que é tudo uma maravilha, e os problemas só ocorreram após o embargo (memória seletiva!). Mas, como de costume, nenhum deles vai para lá…

Mais uma triste notícia Quase 1 milhão de crianças são deixadas para trás na Venezuela por pais migrantes

NOTA ADICIONAL:

EDIÇÃO: A resposta original foi significativamente editada, com atualizações. 

Paulo Dung