sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Yemen houthis Brasil

O Iêmen é, geopoliticamente, um país de localização extremamente privilegiada mas que nos últimos anos vive uma das guerras civis mais duradouras e violentas da atualidade, com o envolvimento de algumas potências estrangeiras.

Até o século VII a.C. o território iemenita era habitado por pequenos reinos especializados no comércio. Nesse século, da união desses pequenos reinos surgiu o grande Reino Mineu, que teve sua riqueza baseada na venda de incenso, principalmente para o Antigo Egito.

Já o outro reino que se tem notícia na região, presente nas escrituras judaicas (o Antigo Testamento cristão) e no Alcorão, é o Reino de Sabá (Sheba), que mantiveram uma relação muito próxima com o Reino de Axum (Etiópia)na África.

O Reino de Axum inclusive foi responsável pela penetração do cristianismo no Reino de Sabá, a partir do século VI d. C., mas também houve uma grande influência do judaísmo a partir do domínio do Reino Himiarita na região no século III d. C.

Mas o cristianismo hoje não tem praticamente presença alguma no Iêmen. Primeiro porque o Reinado Himiarita, em torno de 525 d. C. determinou a perseguição do cristianismo no Reino de Sabá e segundo porque em 575 o reino foi invadido pelo Império Sassânida.

O Império Sassânida foi o último império persa pré-islâmico e transformou a região iemenita em uma espécie de "estado" do império.

Depois o Iêmen viveu um período em que pertenceu a vários califados, como os Omeída e Abássida. Até o ano de 1450 a região viveu instabilidades econômicas e políticas. Em 1450 então, sob o domínio dos resúlidas, a região viveu um grande avanço econômico.

No século seguinte, chegam os portugueses e tentam se estabelecer no porto de Aden, sem sucesso. O interesse português ali existia para poder, se preciso,  atacar Meca e o mundo árabe pela retaguarda, e garantir seu domínio total do comércio de especiarias

Depois de muita disputas entre o próprio Iêmen, Egito e Inglaterra durante os séculos XVIII e XIX em 1914 a Inglaterra e o Império Otomano assinaram um acordo delimitando as fronteiras, criando o Iêmen do Norte (turco) e o Iêmen do Sul (inglês)

O Iêmen do Sul era de extrema importância para os ingleses porque ali ficava o porto de Aden, melhor porto da região e que era estratégico desde a abertura do Canal de Suez.

Com o colapso do Império Otomano no fim da primeira guerra mundial, o Iêmen do Norte proclama sua independência sob o governo de um Imã. Depois, entra em guerra com a Arábia Saudita e, como perdedor, teve que assinar um acordo em 1934 aceitando fazer parte do Reino da Arábia Saudita

Em 1962 o Imã, que era apoiado pela Arábia Saudita e EUA, foi deposto em um golpe de estado, instalando a República no país (Iêmen do Norte), levando a uma guerra civil que durou até 1970.

Quando em 1972 as conversas para a unificação com o sul começaram, a Arábia Saudita, que não se interessava pela unificação, patrocinou um novo golpe de estado. O país passou por instabilidades políticas e até um novo conflito armado, agora contra o Iêmen do Sul, até que 

foram retomadas as conversações para a unificação, mediadas pela Liga Árabe, com destaque para Síria, Jordânia e Iraque. 

As conversas foram finalizadas somente em 1990, com a unificação.

Já no Iêmen do Sul, o processo de independência (era colônia britânica) começou em 1963, com a chamada "Emergência de Áden", uma insurgência popular contra o controle britânico. Os britânicos recuaram e aceitaram dar a independência em 1968, porém

em 1967 a Frente de Libertação Nacional, um partido de orientação marxista, toma o governo e proclama a independência do país, que em 1970 adota o nome de República Democrática Popular do Iêmen, nacionaliza bancos e empresas, fecha as bases britânicas e dá início a uma reforma agrária.

Nos anos seguintes, principalmente após a descoberta de petróleo, os conflitos com os vizinhos aumentaram, principalmente Arábia Saudita e Iêmen do Norte, mas também os conflitos internos, como a guerra civil em 1986.

Depois da unificação, durante os anos 1990, apesar da democracia e das eleições, com uma nova constituição, o Iêmen viveu vários conflitos, internos e externos, principalmente com a Arábia Saudita, que via a presença de uma república ali como uma ameaça às monarquias da região.

Nos anos 2000 o Iêmen foi palco de ações terroristas como o ataque ao navio militar americano USS Cole em 2000, comandado por Osama Bin Laden e um ataque à embaixada britânica.

Diante disso, o governo iemenita se mostrou solicito aos EUA no combate e repressão ao terrorismo e isso marcou os anos 2000 do Iêmen, além da ainda presente instabilidade interna.

Agora chegamos ao começo da atual guerra civil. Tudo começa na primavera árabe em 2011, a qual teve efeitos também no Iêmen, causando a deposição de Ali Abdullah Saleh, presidente desde 1990 (data da unificação). Com a sua saída, o governo ficou com seu vice, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi.

Acontece que Abd era sunita, uma das vertentes do islamismo, maioria no Iêmen. Assim, a minoria xiita, que se chama "Hutis" iniciou uma série de revoltas conta o presidente sunita, levando ao conflito armado, iniciado em 2014 com a tomada pelos Hutis da cidade de Saana'a, a maior do país

O presidente Abd foge para o sul, para a cidade de Áden. Assim, os Hutis tem o controle da maior cidade do país, onde fica a sede do palácio presidencial. Isso tudo porque, apesar de minoria, eles conseguiram apoio de um país xiita, o Irã.

Com esse apoio iraniano aos xiitas, a Arábia Saudita começa a se intrometer também, apoiando a maioria sunita, que junto com países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Sudão, Egito, Jordânia e Marrocos formam a "Coalizão Saudita", atacando militarmente de fato o Iêmen.

Este conflito permanece até hoje. Segundo a ONU é a pior crise humanitária do mundo, com centenas de milhares de mortos e mais de 3 milhões de pessoas deslocadas internamente

Dos feridos, as crianças representam uma enorme parcela das vítimas. Calcula-se que atualmente mais de 15 milhões de crianças estão precisando de ajuda humanitária.

O Brasil mantem relações diplomáticas com o Iêmen unificado desde sua criação, em 1990, já que já mantinha com o Norte e o Sul desde 1984

Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o comércio bilateral cresceu significativamente: em 2001 o fluxo comercial superou pela primeira vez a marca de US$ 100 milhões, e, em 2010, ultrapassou US$ 400 milhões

Mas depois da eclosão da guerra civil em 2011, as relações ficam mais para a preocupação do Brasil com a resolução pacífica do conflito. Assim, em 2012 o Brasil passa a fazer parte do grupo "Amigos do Iêmen", composto por mais de 30 países que buscam a solução do conflito.

Em 2012 também, Dilma recebeu em Brasília a iemenita ganhadora do Nobel da Paz Tawakkol Karman, ativista, que foi uma das líderes da revolução de 2011. Na ocasião discutiram ações em prol do Iêmen, principalmente no campo social, educacional e de segurança alimentar.

Apesar de em guerra civil, o Iêmen ainda mantém relações diplomáticas e contatos com o Brasil. Em 2014 os países assinaram um acordo de cooperação técnica bilateral, com o objetivo de promover a cooperação em áreas consideradas prioritárias.

Isso porque, em linha com a Resolução 2216 (2015), do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo brasileiro reconhece o presidente Hadi como chefe de Estado legítimo do Iêmen.

Segundo o Itamaraty, "o Brasil tem reafirmado seu repúdio a violações do direito internacional e do direito internacional humanitário decorrentes do conflito no Iêmen, bem como seu apoio aos esforços das Nações Unidas em prol de uma solução negociada".

Além disso, defende a atuação da ONU na busca pela melhor solução do conflito a partir da confiança dada ao enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iêmen, Martin Griffiths, que assumiu suas funções em março de 2018

O comércio, apesar da guerra civil, não é tão baixo. Mas a guerra claramente afeta as importações brasileiras do Iêmen. 

Em 2019 o comércio totalizou US$ 339 milhões, em US$ 339 milhões de exportações e US$ 16,6 mil em importações (sim, só isso)

As exportações são basicamente de açúcares e melaços (52%) e carnes de aves (45%). Já as pouquíssimas importações foram de ferramentas para uso manual ou em máquinas (82%), equipamentos de telecomunicações (16%) e produtos da indústria de transformação (2,3%).

Obs. Este texto é de 2020. De lá pra cá, nada mudou. Uma minoria xiita raivosa e fundamentalista, sendo mais um braço dessa coligação do mal, trabalha sem descanso, como todo agente das trevas, para destruir tudo que lhe é contrário, incluindo, se necessário, seu próprio povo. Mas a fixação, o alvo mesmo é aniquilar Israel, o povo judeu, os cristãos, os seguidores de Yeshua, e subjugar toda civilização ocidental. 

É dever de todo homem de bem, diante dos fatos e instruído nas palavras de advertência do Criador, apoiar Israel. Qualquer coisa diferente, procede do maligno e da sua balança do engano.

Paulo Dung

Shalom


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