
Sábado de carnaval.
Vivo numa pequena cidade, e bota pequena nisso. Durante o ano privilegiamos o pequeno comércio local, pagando um preço mais alto, quando podíamos comprar mais barato na cidade mais próxima. É uma atitude válida, porque queremos encontrar aqui mesmo os itens que mais precisamos, então nada mais lógico que fortalecer o comércio local. Ou seja, uma mão lava a outra. Além do mais, conhecemos cada comerciante, seus filhos, sobrinhos, netos e nos importa, e muito, vê-los bem, e com comida farta na mesa.O engraçado é que na vida, encontramos todos os tipos de pessoas e, aos olhos de alguns avarentos, somos apenas vítimas a serem arrochadas, junto com a enxurrada de turistas que invadem a paz em que vivemos, nessa maldita época de carnaval. Ou seja, o bem que estabelecemos durante o ano inteiro, no carnaval, não é nem considerado, e pagamos o dobro ou até o triplo do preço.
Por que o assunto?
Ora, porque se pensarmos bem, vamos ver que, para além das más pessoas, nosso sistema é arcaico e gerador de hipocrisias e indiferenças.
Por exemplo,
Estava vendo na internet um sujeito que desenvolveu um método que, segundo ele ( que se intitula o homem com a melhor memória do Brasil ), aumenta o desempenho da memória para fins de concursos, provas de faculdade, até para aqueles alunos que não estudaram o ano inteiro e que tem que fazer uma boa prova. Ou seja, macetes para decoreba. Estudar, que é bom. nada. Assimilar o que leu, nada. Outro exemplo é o de um professor de filosofia, com um curso online ad infinitum, ou seja, fornecimento de filosofia com consumo contínuo. Que negócio bom, não? Ou seja, ninguém vai nunca andar com suas pernas, e no final das contas vemos que até aqueles que parecem bons e que querem o nosso bem, estão se lixando, e na verdade, só se preocupam com suas barrigas e egos. São os pequenos espertos preenchendo nichos de mercado. Agora, se pensarmos bem, metade das profissões existentes poderiam ser extintas, que não fariam a menor falta, e melhor fariam esses profissionais se trabalhassem de verdade em algo benéfico para a sociedade.
Por mim todos os cantores, músicos, atores, escritores, atletas, etc, etc, deveriam exercer graciosamente suas artes. Cantar não é trabalho. Escrever, muito menos. Fingir que é outra pessoa, como fazem os atores, na verdade, apesar de todo o glamour, é uma atividade deplorável. Mas, não vivemos num mundo e, muito menos, num país sério. O oba oba, a vantagem, o esnobismo hipócrita dos que mesmo não tendo nada, ostentam o que não tem como se de fato tivessem, estimula aos que não tem juízo a almejarem essa vida de aparências. É como o sujeito que come miojo em casa com a família, mas se mata pra pagar as prestações do belo carrão e do relógio de ouro, pra poder ser chamado de doutor, e todos vão acreditando nas mentiras e nas falsas aparências.
E clamam por justiça. E dizem que o país está sendo governado por ladrões, comunistas, pedófilos, gays, lésbicas. Como se suas "doenças" fossem melhores que as dos infelizes citados. Se afastam do pecador, porque devem achar contagioso o contato. Compaixão pelo pecador? Nem pensar. Se acham justos, santos e melhores. Raça de canalhas. O pior pecado do homem é a hipocrisia. Nada é mais desprezível do que esse vício em se achar perfeito, sem defeitos, sem erros, quando na verdade chafurdam numa lama gosmenta que os cega para si próprios e, pior, pensam que todos são cegos também.
Outra coisa, quem dizia uma coisa, até há pouco tempo atrás, hoje, jura que nunca disse. Quem se aliou aos movimentos, hoje, diz que nunca apoiou. A verdade é que os nossos "mestres" são confusos, cheios de si, arrogantes, divisionistas, e o que eu sinto, na verdade, é muita vergonha de ver que tantos e quantos vão atrás, porque precisam de um guia.
Ao car(v)alho com todos eles!
Paulo Dung
Desejo que todos sejam livres, reconheçam seus erros, se arrependam e conheçam qual a verdadeira vontade de Deus.
Shalom!
Paz e justiça!
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